Manaus registra 2.952 casos de sífilis em 2026
Manaus registrou 2.952 casos de sífilis adquirida entre janeiro e 10 de setembro de 2026, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. No mesmo período, a capital contabilizou ainda 1.693 casos de sífilis em gestantes e 267 de sífilis congênita. Os números são acompanhados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que intensifica neste mês as ações de prevenção, testagem e tratamento por meio da campanha Outubro Verde.
Em 2026, Manaus mantém média mensal de 361 notificações de sífilis adquirida em adultos, exceto gestantes. O número representa aumento de 12,1% em relação à média de 322 registros mensais registrada em 2025.
As ações de prevenção e controle serão realizadas nas unidades da rede municipal de saúde e também em atividades extramuros, em locais como escolas, empresas e entidades sociais.
Segundo a técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Hepatites Virais da Semsa, enfermeira Ylara Enmily Costa, a campanha busca ampliar a conscientização da população sobre a importância da testagem e da prevenção.
“A intenção é mobilizar a população, orientar as pessoas sobre a importância da realização de testagem de rotina, pelo menos uma vez ao ano, e da utilização de preservativos nas relações sexuais”, informou Ylara.
Além do uso de preservativos, a Semsa orienta a população a realizar o teste rápido para sífilis. Em caso de resultado positivo, o tratamento deve ser iniciado rapidamente e acompanhado até a conclusão.
“A sífilis pode manter-se de forma silenciosa, sem apresentar sinais e sintomas. As pessoas nem sempre procuram o atendimento médico e o ciclo de transmissão é mantido. Por isso, o ideal é sempre realizar o teste”, alertou a enfermeira.
A rede municipal disponibiliza gratuitamente testes rápidos para sífilis e preservativos nas unidades de saúde.
Casos entre gestantes aumentam
Os dados do Sinan também apontam crescimento das notificações de sífilis entre gestantes. A média mensal passou de 198 casos em 2025 para 208 em 2026, aumento de 5,1%.
A situação exige atenção devido ao risco de transmissão da infecção da gestante para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, o que pode provocar a chamada sífilis congênita.
Em 2026, Manaus registra média mensal de 33 casos de sífilis congênita, contra 24 casos mensais em 2025. O aumento é de 37,5%.
“Os dados reforçam a importância de manter e ampliar as estratégias de prevenção, testagem e tratamento, especialmente no acompanhamento da gestação”, pontuou Ylara.
A enfermeira destaca que a sífilis tem cura, mas uma pessoa que já foi tratada pode ser reinfectada. Por isso, o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento das parcerias sexuais são necessários para interromper a cadeia de transmissão.
Pré-natal ajuda a prevenir sífilis congênita
Para evitar a transmissão da sífilis para o bebê, a Semsa reforça a importância do acompanhamento pré-natal e da realização dos testes durante a gestação.
O Ministério da Saúde recomenda a testagem na primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no momento do parto ou em caso de aborto.
Em Manaus, a estratégia foi ampliada em 2026, com recomendação de pelo menos três testagens para sífilis durante o pré-natal, incluindo também o segundo trimestre da gestação.
“A medida busca ampliar as oportunidades de diagnóstico e tratamento, reduzindo o risco de transmissão da infecção para o bebê”, explicou Ylara.
Quando a sífilis é identificada durante a gravidez, o tratamento deve ser iniciado e acompanhado de forma adequada. As parcerias sexuais também devem ser avaliadas e tratadas quando houver indicação, reduzindo o risco de reinfecção da gestante.
Manaus soma milhares de casos
Entre janeiro e 10 de setembro de 2026, além dos 2.952 casos de sífilis adquirida, Manaus registrou 1.693 casos de sífilis em gestantes e 267 casos de sífilis congênita.
No ano passado, foram contabilizados 3.874 casos de sífilis adquirida, 2.352 casos em gestantes e 339 de sífilis congênita.
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. A principal forma de transmissão ocorre por meio de relações sexuais sem preservativo.
Na fase primária, a infecção pode provocar uma ferida que aparece no pênis, vagina, ânus, vulva ou colo do útero. A lesão pode surgir até 90 dias após o contágio e nem sempre provoca dor, o que pode dificultar a identificação da doença.
Sem tratamento, a sífilis pode evoluir para estágios mais avançados e provocar complicações neurológicas, cardiovasculares e ósseas, podendo levar à morte.
No caso da sífilis congênita, a infecção pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, malformações, surdez, cegueira, alterações ósseas, deficiência intelectual e até morte do bebê.
As manifestações da forma precoce da sífilis congênita podem surgir até os dois primeiros anos de vida. Já a forma tardia pode apresentar sintomas após esse período.
Outubro Verde
O Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita é celebrado no terceiro sábado de outubro, conforme a Lei nº 13.430/2017. Em 2026, a data será marcada no dia 17 de outubro.
Em Manaus, a abertura oficial da campanha “Outubro Verde” será realizada no dia 14 de outubro, às 9h, com uma cerimônia de mobilização e sensibilização na Unidade de Saúde da Família (USF) Dr. José Rayol dos Santos.
Durante o mês, a Semsa pretende ampliar as ações de orientação, prevenção, testagem e tratamento da sífilis nas unidades de saúde e em atividades realizadas fora da rede municipal.
