Greve dos bancários começa nesta terça-feira por tempo indeterminado no Amazonas

Bancários do Amazonas iniciam hoje, greve por tempo indeterminado, tomando parte no movimento nacional da categoria. Lideranças do comércio e da indústria temem prejuízos que podem ser causados pela paralisação. A decisão dos bancários foi tomada na última sexta-feira, após assembleia geral com associados do sindicado no Amazonas. Os bancários exigem reajuste salarial de 12,5%, contratação de mais bancários, maior participação nos lucros das empresas e mais segurança nas agências.
De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a grave dos bancários pode causar prejuízos incalculáveis para a indústria pelo fato de que as empresas ficarão impossibilitadas de fazer simples transações como pagamentos e recebimentos. “No primeiro dia de greve já teremos prejuízos. Existem pagamentos e recebimentos que só podem ser realizados na ‘boca do caixa’, na agência mesmo. Nós não temos nem como calcular os prejuízos que teremos”, afirmou.
Azevedo destacou que apesar dos funcionários terem o direito de aderir à greve para cobrar dos patrões melhorias nas condições de trabalho e salário, espera que os bancários e banqueiros se reúnam e encontrem uma solução que resulte no fim da greve. “A gente entende que é um direito de todos os trabalhadores, mas esperamos que seja construído um entendimento entre eles o quanto antes para evitar o caos. Uma greve gera um caos em todo o sistema financeiro do País”.
Ele acredita, ainda, que de imediato os funcionários das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) não serão prejudicados. “As empresas hoje (ontem) já estão disponibilizando os salários, deste modo os funcionários recebem nas contas deles. Então, enquanto tiver dinheiro nos caixas eletrônicos, eles podem sacar. Só deverão ter problemas quando forem pagar suas contas nas agências”, disse.
Para o presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas, José Roberto Tadros, a greve dos bancários será extremamente prejudicial para toda a cadeia econômica do País. “Isso prejudica todo o nosso sistema financeiro”, disse.
Clientes devem usar a Internet
O impacto da greve sobre os consumidores vai depender do nível de adesão por parte dos bancários. A greve foi planejada para ter início exatamente no último dia útil do mês. É provável que a paralisação se estenda pelas primeiras semanas de outubro, quando empresas privadas, governo do Estado e Prefeitura fazem o pagamento dos funcionários, o que aumenta o fluxo de clientes nas agências.
Para evitar problemas ao consumidor, o próprio sindicato recomenda o uso dos sites dos bancos e de aplicativos móveis para realizar as transações, evitando ao máximo a ida às agências bancárias.
O presidente da Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio), José Roberto Tadros, calcula que, inicialmente, as empresas serão as maiores prejudicadas.
“São tributos que deixarão de ser recolhidos, são pagamentos que serão atrasados e, também, não será possível receber, tendo em vista que alguns procedimentos só podem ser efetuados nos bancos e não em caixas eletrônicos”, disse Tadros.
Tadros comparou a greve dos bancários com a dos transportes coletivos que causa prejuízos tanto para os empresários como para os trabalhadores. “As duas afetam o andamento da economia. Com a greve dos bancos muitos pagamentos e recebimentos não acontecem, enquanto com a dos transportes coletivos, muitos funcionários não conseguem chegar para trabalhar”, avalia.
