PT quer mudar a denominação da prisão dos seus militantes
Santa paciência, vamos discordar sempre da denominação “presos políticos” usada pelos condenados da AP 470, José Genoino e José Dirceu. Para mim e para muitos brasileiros, Eles foram sim, na época da ditadura, mas agora são apenas “políticos presos”.
Ordem dos fatores altera sim nesse caso
Rememorando o que foram antes e a condição em que estão hoje José Dirceu e José Genoino - para falar dos que nos anos áureos desfilavam com mais visibilidade e discorriam em tom imperativo sobre o "projeto" - compreende-se a razão pela qual procuram vestir o figurino de presos políticos.
Na perspectiva deles tudo o que fizeram nunca teve outro objetivo senão a política. Partindo desse princípio desenharam cada qual à sua maneira, a cena do momento fatal: braços erguidos, punhos cerrados, a capa bordada com referência a poema de Mário Quintana, protestos por escrito contra o "casuísmo", saudações de correligionários, vivas ao PT, clamores contra a injustiça. Mas a realidade conta outra história: são políticos presos. Aqui a ordem dos fatores altera o resultado sim.
Preso politico é outra coisa
O que são presos políticos? Por definição, pessoas privadas da liberdade por atos de retaliação do poder em decorrência de opiniões ou ações que contrariem a vontade e/ou a lei imposta pelas autoridades ilegítima e ilegalmente constituídas no País, como no caso da ditadura militar que se impôs no Brasil a partir de 1964. Nenhuma, mas nenhuma semelhança, portanto, com o Brasil de hoje.
Democracia prende sim políticos corruptos
Hoje no Brasil, as leis decorrem de um Congresso eleito, a Presidência da República tem seu poder emanado do voto popular e o Supremo Tribunal é composto por nomeações do chefe da nação aprovadas pelo Legislativo. Tudo nos conformes da legalidade e da legitimidade. Diferente, seo Genoino e seo Dirceu de "ontem", da ditadura contra a qual vocês e tantos outros se insurgiram pagando caro com a supressão da liberdade, a violação da integridade física e, em muitos casos, com a vida.
Não podemos aceitar essa denominação
Na época, sim, foram presos políticos, vítimas do arbítrio de um regime ao qual se opunham. Agora não, integram a situação. O tribunal que os condenou é instituição de um país democrático, livre, cujo governo, ao contrário de lhes ser hostil, é chamado por eles de "nosso" em contraposição aos "outros", vistos como infratores por serem adversários.
Governo em nome do qual cometeram os atos sobre os quais até poderiam não ter noção da gravidade, admita-se, mas pelos quais foram condenados por se acharem acima da lei e atuarem como donos das instituições, senhores de todas as vontades.
Se nós brasileir5os cidadãos de bem aceitarmos a denominação de presos políticos para os petistas, devemos aceitar também para os políticos não petistas: Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues, Valdemar Costa Neto, Pedro Henry, Pedro Corrêa e companhia. Por que não?. São tudo farinha do mesmo saco. E como a farinha, estão custando muito caro para o Brasil.
