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Wilson Périco é reeleito presidente do CIEAM

Wilson Périco é reeleito presidente do CIEAM

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O economista Wilson Périco foi reeleito à presidência do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) por mais quatro anos. As marcas de gestão do paulista, que trabalha há 24 anos na ZFM (Zona Franca de Manaus), são a luta pela diversificação econômica do Amazonas, o emprego de recursos arrecadados pelo PIM (Polo Industrial de Manaus) na Amazônia Ocidental, como determina a lei, e a união entre a indústria e a academia.  A entidade está completando 36 anos de luta pela competitividade da ZFM.

Périco assume vários desafios à frente do CIEAM. Neste momento, a ZFM enfrenta sua maior crise, reflexo da má gestão pelo poder público. Mais de 20 mil empregos já foram perdidos neste ano. “Minha maior preocupação agora é a manutenção dos empregos que restam”, garante. O presidente reeleito insiste na mobilização do governo estadual e dos parlamentares de todos os estados da Amazônia Ocidental – Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, além de dois municípios do Amapá –, para que os recursos arrecadados pela indústria local voltem à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).

“É preciso que o conselho de administração da Suframa recupere suas atribuições constitucionais, assegurando que os PPBs (Processo Produtivo Básico) não continuem sofrendo vetos no MDIC (Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio), para que novas empresas possam se instalar no estado, diversificando os modelos econômicos. Indústrias querem se instalar aqui e são vetadas por boicotes obscuros, que resguardam interesses inconfessos”, denuncia.

Novas Matrizes Econômicas

Sob seu comando, o CIEAM bate na tecla da urgente necessidade de criação de novas matrizes econômicas na Amazônia, não apenas no PIM. “Hoje, Manaus é responsável por 95% do ICMS do Amazonas, o que prova o quanto o estado é dependente do polo industrial da capital. Toda a economia está calcada em apenas quatro linhas de produção: TVs, celulares, ar-condicionado e motos. A ameaça é muito grande. Estamos correndo o risco de vivermos o pesadelo do fim do ciclo da borracha, quando só havia um modelo econômico. A história se repete com a Zona Franca”, alerta.

Périco defende que é preciso distribuir a riqueza, levar renda e desenvolvimento a todos os cantos do estado, que tem dimensões continentais. “Temos aqui o maior patrimônio do mundo, que pode e deve ser aproveitado de maneira sustentável, para levar qualidade de vida ao interior.” O Amazonas tem 11 municípios considerados entre os piores pelo Índice de Desenvolvimento Humano no Brasil.

Hoje, estão instaladas na ZFM, em sua maioria, indústrias dos setores de eletroeletrônicos, informática e duas rodas. “Precisamos investir em nossa vocação natural para o bionegócio. Produção de alimentos, fármacos, cosméticos, nutracêuticos e fitoterápicos, que integrem e atendam ao modelo industrial existente”, afirma Périco. Para que isso aconteça, é preciso garantir que os impostos e contribuições recolhidos pela indústria sejam aplicados de acordo com a lei. Ou seja, a Zona Franca foi criada para levar desenvolvimento socioeconômico para a Amazônia Ocidental e seus recursos devem ser aplicados localmente.

“As taxas administrativas da Suframa devem voltar, impreterivelmente, a ser de responsabilidade da autarquia, para que ela cumpra seu papel desenvolvimentista na Amazônia Ocidental. É inconstitucional seu uso para compor superávit primário ou para o caixa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Assim como as verbas de P&D (pesquisa e desenvolvimento) devem ser investidas aqui, para a instituição de novas matrizes, e não para projetos que nada têm a ver com a Amazônia, como aconteceu com o desvio para o programa Ciência sem Fronteiras”, adverte