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ALUMÍNIO NAS EMBARCAÇÕES GARANTE ECONOMIA DE COMBUSTÍVEL

ALUMÍNIO NAS EMBARCAÇÕES GARANTE ECONOMIA DE COMBUSTÍVEL

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Bons ventos sopram em favor do uso de alumínio para fabricação de veículos marítimos. Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), o setor de transportes é o maior consumidor do metal no mundo. Atendidos pela filial Fortaleza da Belmetal, duas empresas de Manaus (AM), consomem alumínio para desenvolver embarcações na região, e, entre os motivos, está o fato de o material reduzir o gasto de combustível. O Estaleiro JC, que trabalha principalmente com navios de lazer de alto padrão, de 70 a 100 pés, utiliza laminados de 2, 3, 4 e 5mm de liga 5052, e também tubos e cantoneiras. Já para a Alegra Náutica, que tem como foco barcos comerciais pequenos, de 20 a 30 pés, desfrutados para forças armadas, barcos de pesca e para turismo ecológico, a Belmetal fornece chapa de 2 e 3mm de liga 5052, e perfis de casco e balaustrada.

 

Ainda de acordo com a ABAL, componentes automotivos de alumínio são tipicamente 50% mais leves, e o material garante maior rigidez estrutural e segurança veicular, comparado aos outros materiais mais pesados.  Cada 10% de redução de peso nos automóveis – pelo uso do alumínio em substituição ao aço - representa um aumento de 5% a 7% em eficiência de combustível. Peter Herzog, sócio proprietário da Alegra Náutica, cliente da Belmetal há cerca de cinco anos, afirma que o uso do produto nas embarcações, além de reduzir o consumo de gasolina, elimina a necessidade de motores de maior potência. O sócio proprietário também garante que, entre outras vantagens, estão durabilidade, praticidade e baixo investimento inicial na fabricação dos barcos.

 

Construído em 1891, na França, o iate motor de 12 metros de comprimento “Mignon” foi a primeira embarcação marítima em alumínio. Na Inglaterra, o primeiro navio motorizado foi “Diana”, com aproximadamente 17 metros, construída em moderna liga de alumínio de grande resistência. Ela foi usada pela Marinha Real durante a Segunda Guerra Mundial e, durante os anos 60, ainda estava em uso. Hoje, a indústria brasileira tem empregado o metal em automóveis, ônibus, caminhões, aviões, trens e barcos, e os benefícios ultrapassam a economia de combustível, conforme explica o gerente de indústria da Belmetal, Hélio Silva. “Hoje, 50% do alumínio usado na fabricação de veículos vem da reciclagem, processo que consome apenas 5% da energia necessária para produção do alumínio primário”, completa.

 

Segundo trabalho de “Análise da Topologia Estrutural e sua Influência no Custo de Fabricação do Casco de Catamarãs em Alumínio”, escrito por Rafael Lins Cosentino, para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, dependendo das características de porte e de operação da embarcação, o alumínio se apresenta como a escolha de material mais eficiente para a fabricação do casco. “Nos anos recentes, a utilização do alumínio tem sido crescente em diversos setores de construção naval. Para que o maior custo com a construção em alumínio seja justificado, a embarcação deve possuir uma topologia estrutural eficiente, ou seja, deve-se alcançar uma solução de projeto que satisfaça os requisitos de resistência estrutural, empregando-se a menor quantidade de material possível.”, afirma Rafael, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da UFRJ.  

 

A Belmetal fornece para a Alegra, anualmente, 25 toneladas de chapa e oito toneladas de perfis de casco e balaustrada. “Esse consumo atende 30% das nossas necessidades. Produzimos uma média de 250 embarcações anuais.”, completa Peter Herzog. Para o Estaleiro JC, a Belmetal fornece, por ano, um volume médio de 40 toneladas de laminados, e cerca de 12 toneladas de tubos e cantoneiras.