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Do câncer de mama ao de intestino: diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no Brasil

Do câncer de mama ao de intestino: diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no Brasil

 

Câncer de intestino e mama está entre os tumores que preocupam especialistas; identificação da doença em estágios avançados pode reduzir as chances de cura

O diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios no enfrentamento do câncer no Brasil. Em diferentes tipos de tumores, a descoberta da doença em estágios avançados pode limitar as possibilidades de tratamento e reduzir significativamente as chances de cura. Um dos exemplos é o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. Dados divulgados pelo Instituto Oncoguia apontam que mais de 60% dos casos da doença no Brasil são diagnosticados em estágios avançados.

Para o oncologista Dr. Peter Silva, da Oncológica do Brasil, o cenário reforça a importância de reconhecer alterações persistentes no organismo e buscar avaliação médica.

“O diagnóstico precoce é um dos principais fatores que podem influenciar o resultado do tratamento. O problema é que muitos tumores podem evoluir durante algum tempo sem provocar sintomas muito específicos, e quando o paciente procura atendimento a doença já pode estar em uma fase mais avançada”, explica.

O gargalo do diagnóstico no câncer de intestino

No câncer de intestino, um dos obstáculos está justamente na dificuldade de identificar os primeiros sinais. Alterações no funcionamento intestinal podem ser confundidas com problemas alimentares ou outras condições comuns. Entre os sintomas que merecem investigação estão sangue nas fezes, mudanças persistentes no hábito intestinal, diarreia ou constipação recorrente, alteração no formato das fezes, dores ou desconforto abdominal, anemia sem causa definida e perda de peso inexplicável. A presença desses sintomas não significa necessariamente câncer, mas a persistência das alterações deve ser avaliada por um profissional de saúde.

“Não significa que qualquer alteração intestinal seja câncer. Mas quando um sintoma persiste, é importante entender o que está acontecendo. O diagnóstico não deve ser feito pelo paciente em casa, mas a decisão de procurar atendimento pode fazer diferença”, destaca Peter Silva.

Câncer de mama também reforça importância do diagnóstico precoce

O câncer de mama é outro exemplo de como a identificação precoce pode fazer diferença no tratamento. A doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), e está no centro das ações do Outubro Rosa.

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, o desafio continua sendo fazer com que alterações suspeitas sejam investigadas o quanto antes. Nódulo ou endurecimento na mama, alterações na pele, mudança no formato ou tamanho da mama, retração do mamilo e secreção sanguinolenta são alguns dos sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde.

“O câncer de mama tem altas possibilidades de tratamento, principalmente quando identificado em fases iniciais. Por isso, é importante que a mulher conheça o próprio corpo e procure atendimento diante de uma alteração que não seja habitual. O acompanhamento médico e a realização dos exames indicados para cada faixa etária e perfil de risco são fundamentais”, explica o oncologista.

A discussão sobre o câncer de mama também ajuda a reforçar uma mensagem que vale para diferentes tipos de tumores: não esperar os sintomas se agravarem para procurar atendimento.

Quanto mais cedo, maiores as possibilidades de tratamento

A diferença entre identificar um tumor em estágio inicial ou avançado pode ser significativa. Segundo dados citados pelo Instituto Oncoguia e por instituições especializadas em oncologia, as chances de cura do câncer colorretal podem chegar a aproximadamente 85% a 90% quando a doença é descoberta precocemente. Em casos avançados, esse percentual pode cair de maneira expressiva.

“O câncer não deve ser encarado como uma sentença. Temos tratamentos cada vez mais eficientes, mas o momento em que a doença é descoberta interfere diretamente nas possibilidades terapêuticas. Por isso, diagnóstico precoce é uma questão fundamental”, afirma o especialista.

O câncer não é uma doença única

Embora o câncer de intestino seja um dos exemplos mais evidentes quando se fala em diagnóstico tardio, o problema não se restringe a um único tumor. Câncer de mama, pulmão, próstata, colo do útero e outros tipos de câncer também dependem de estratégias de prevenção, acompanhamento médico, identificação de sinais suspeitos e, quando indicado, rastreamento.

Para Peter Silva, campanhas de conscientização têm papel importante justamente por aproximarem a população da informação.

“Quando falamos de câncer, precisamos entender que estamos falando de dezenas de doenças diferentes, com características, fatores de risco e estratégias de diagnóstico próprias. A informação ajuda o paciente a reconhecer a importância de procurar assistência e não adiar uma investigação”, explica.

Diagnóstico precoce precisa fazer parte da rotina

O especialista reforça que a prevenção não deve ficar restrita a períodos específicos do calendário. Campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul ajudam a chamar atenção para determinados tumores, mas o cuidado com a saúde precisa acontecer durante todo o ano.

“Campanhas são importantes para criar momentos de conscientização, mas o cuidado não pode durar apenas um mês. Conhecer os fatores de risco, manter acompanhamento médico e investigar alterações persistentes são atitudes que precisam fazer parte da rotina”, conclui Peter Silva.