Lula e Flávio devem explicações sobre sigilos e suspeitas em reta final da eleição
Rumo ao embate decisivo do próximo domingo (25), Lula e Flávio Bolsonaro transformaram a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos em um jogo de desafios e condições, como se a transparência dependesse da iniciativa do adversário. Ambos, ao invés de usar a clareza que se espera de todo homem público como “espetáculo eleitoral”, deveriam responder objetivamente a dúvidas que estão no ar, independentemente de quem abra primeiro suas contas.
Faturamento – Flávio, por exemplo, precisa esclarecer como seu escritório de advocacia faturou R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre 2023 e julho de 2026, enquanto exercia o mandato de senador.
Mistério – Segundo levantamento do UOL, a maioria dos documentos apresenta descrições genéricas dos serviços, e o escritório não possui outros funcionários.
Suspeitas – O faturamento, por si só, não comprova irregularidade, mas exige esclarecimentos sobre a natureza dos serviços prestados. Porém, há diversas suspeitas sobre transações financeiras que passaram a ser investigadas pela Polícia Federal.
Blindagem – Lula, por sua vez, deveria explicar por que seu governo mantém sob sigilo detalhes de R$ 83,37 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência, além das restrições de acesso a registros de visitas oficiais.
Ressalvas – Até então, o governo federal invocava razões legais e de “segurança” para preservar parte dessas informações.
Revelações – O presidente Lula também tem questões a esclarecer sobre as acusações feitas pela empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
Jatinho – O caso ganhou outro capítulo com reportagem publicada pela revista Veja nesta quarta-feira (21), que apresentou fotografias de viagens de Lulinha ao exterior na companhia de Roberta, inclusive em um jatinho avaliado em US$ 20 milhões.
Recado – Em meio à crise interna do Supremo Tribunal Federal e a três dias do segundo turno presidencial, o presidente da Corte, Edson Fachin, fez nesta quarta-feira (21) uma advertência sobre os limites da atuação do Judiciário.
Limites – Segundo ele, o STF não pode se omitir diante de violações de direitos fundamentais, mas também não deve substituir o debate político pela vontade de seus ministros, sob o risco de transformar a guarda da Constituição em um “governo dos juízes”.
Caçada – Na reta final do segundo turno no Amazonas, Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL) disputam não apenas os votos dos candidatos derrotados, mas também a participação de quem se absteve ou votou em branco ou nulo no primeiro turno.
Espólio – Os números mostram o tamanho desse eleitorado: Roberto Cidade recebeu 453.896 votos e David Almeida, 218.490, somando 672.386 eleitores.
Abstenção – Outros 563.782 não compareceram às urnas, enquanto 109.946 anularam o voto e 50.340 votaram em branco. Ao todo, são 1,39 milhão de eleitores nesses grupos, embora não haja garantia de que compareçam ou mudem de escolha no domingo (25).
