Saúde mental de estudantes exige atenção nas universidades
Conciliar trabalho, estudos e vida pessoal é um desafio para milhões de universitários brasileiros. Na rotina de provas, trabalhos e prazos, o descanso e o lazer acabam ficando em segundo plano, enquanto a cobrança por resultados e a preocupação com o futuro profissional aumentam a pressão emocional. O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, chama a atenção para a importância do cuidado psicológico também no ambiente acadêmico
Ansiedade afeta estudantes
Dados da Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos Graduandos das Instituições Federais de Ensino Superior, realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2018, apontaram que 83,5% dos estudantes ouvidos relataram alguma dificuldade emocional. A ansiedade foi mencionada por cerca de seis em cada dez participantes.
Para o psicólogo Fabrício Paixão, a comparação com colegas pode intensificar a pressão, especialmente quando o estudante avalia os próprios resultados sem considerar as diferentes condições de cada pessoa.
“Ao avaliar o próprio desempenho, o estudante precisa considerar as condições em que estuda, o tempo de que dispõe e as outras responsabilidades que assume. Reconhecer uma dificuldade permite pensar no que precisa ser ajustado e no apoio que pode ser necessário”, afirma
Sono e planejamento fazem diferença
Entre os primeiros hábitos prejudicados pela sobrecarga está o sono. Ao reduzir continuamente as horas de descanso para cumprir tarefas acadêmicas, o estudante pode agravar o cansaço e comprometer o próprio bem-estar.
“Quando o estudante sacrifica continuamente o descanso para cumprir as tarefas, pode acabar aumentando a própria sobrecarga. Ao planejar a semana, é preciso considerar tanto os compromissos acadêmicos quanto as condições para realizá-los”, orienta Paixão.
A organização da rotina pode ajudar a reduzir essa pressão. Dividir trabalhos em etapas menores, estabelecer prioridades e reservar horários para dormir, praticar atividades físicas e aproveitar momentos de lazer são medidas que contribuem para uma rotina mais equilibrada.
e encontrar alternativas. Quando a ansiedade ou o sofrimento emocional começam a interferir no sono, nos estudos ou nos relacionamentos, buscar acompanhamento psicológico é uma opção importante.
“O estudante pode procurar ajuda quando percebe que está difícil lidar com o que sente, mesmo antes de haver queda no rendimento. O acompanhamento psicológico oferece um espaço para compreender esse sofrimento e construir formas de lidar com ele”, explica o psicólogo.
Universidades também têm papel no cuidado
As instituições de ensino podem contribuir para a prevenção do sofrimento emocional ao oferecer espaços de escuta, divulgar serviços de apoio psicológico e orientar os estudantes sobre onde buscar atendimento.
O cuidado também precisa alcançar quem mantém boas notas e continua cumprindo os prazos. O desempenho acadêmico, por si só, não revela o que uma pessoa enfrenta emocionalmente. Por isso, promover a saúde mental nas universidades exige atenção às dificuldades que nem sempre aparecem nos resultados ou no histórico escolar
