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Defensoria Pública solicita ao MPF reavaliação de medidas contra queimadas no Amazonas

Defensoria Pública solicita ao MPF reavaliação de medidas contra queimadas no Amazonas

Instituição aponta aumento de focos de calor, piora da qualidade do ar em Manaus e necessidade de ações preventivas e estruturais

A Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) encaminhou, nesta quinta-feira (24/9), um requerimento ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando novas providências diante do avanço das queimadas e da piora da qualidade do ar no Estado. Entre as medidas, a instituição pede a reavaliação de um procedimento arquivado em 2025 ou a abertura de uma nova apuração sobre a efetividade das políticas públicas de prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas.

No documento, a instituição pede que sejam reavaliadas as premissas que levaram ao arquivamento, em janeiro de 2025, de um procedimento instaurado na Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a atuação do Poder Público diante das queimadas no Amazonas. Como alternativa, solicita a abertura de uma nova apuração, além da investigação de eventual omissão, insuficiência ou atuação tardia dos órgãos públicos responsáveis.

A medida considera o aumento dos focos de calor registrado em 2026 e a intensificação da fumaça em Manaus.

Para o defensor público e titular da Defensoria Pública de Interesses Coletivos (DPEIC), Carlos Almeida, as situações registradas em setembro de 2026 justificam uma nova análise sobre a efetividade das medidas adotadas. Ao longo do mês, de acordo com dados divulgados pela Defesa Civil Municipal, a concentração de partículas finas (MP2,5) chegou a 188,5 µg/m³, classificação considerada “péssima”. Dias antes, os níveis já eram classificados como “muito ruins”.

“As queimadas deste ano mostram que o Amazonas ainda enfrenta falhas na prevenção e no combate aos incêndios. Esse problema se agrava com a falta de continuidade das ações na área ambiental, especialmente neste período eleitoral. O Estado não tem conseguido responder de forma suficiente a uma situação que se repete todos os anos. E, como os efeitos das queimadas ultrapassam o Amazonas e atingem outras regiões do país, é necessária também uma atuação federal para enfrentar o problema”, destacou.

Atuação preventiva

No documento, a instituição ressalta que, diante de um fenômeno previsível, as ações públicas devem priorizar a prevenção, a fiscalização, o combate aos ilícitos ambientais, a estruturação de brigadas, o monitoramento da qualidade do ar e a atuação antecipada nos municípios mais atingidos.

Alguns impactos para a população, citados no requerimento, incluem os problemas causados pela exposição à fumaça, especialmente para crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares, além dos trabalhadores expostos ao ar livre.

A instituição também requisitou informações detalhadas à União, ao Estado e aos municípios sobre recursos, brigadas, fiscalizações e ações preventivas, bem como a adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais para assegurar o cumprimento das obrigações públicas.