Artista Baré, Eric Max leva ‘Tatá Wasú’ para passarela do PERIFERI em Manaus
Artista Baré, Eric Max leva ‘Tatá Wasú’ para passarela do PERIFERI em Manaus
Novo single do cantor integrou os desfiles da WanWan, de Wanglêys Manaó, e da estilista Sonja Andrade durante evento que celebra a produção criativa das periferias
O cantor, compositor e produtor artístico indígena Baré Eric Max levou a força de “Tatá Wasú”, seu novo single, para a passarela do PERIFERI – Quebrada do Norte, realizado neste domingo (13), no Manaus Plaza Shopping. A música integrou o desfile da marca WanWan, de Wanglêys Manaó, e o artista também se apresentou durante o desfile da estilista Sonja Andrade, conectando música, moda, identidade e ancestralidade amazônica.
Realizado pelo Instituto Amazonic Trend, o PERIFERI reuniu cerca de 200 modelos e outros profissionais da cena criativa de Manaus com a proposta de levar a favela para as passarelas a partir do olhar e das vivências de quem faz parte desses territórios. Ao longo da programação, o público acompanhou desfiles, música, apresentações e intervenções artísticas que colocaram em evidência diferentes referências, histórias e identidades das periferias da capital amazonense.
A participação de Eric Max levou para esse espaço a proposta artística de “Tatá Wasú”, lançado em 28 de agosto. Quarto single da carreira do artista, o trabalho transforma a imagem do “Fogo Grande” em uma mensagem sobre vida, ancestralidade, pertencimento e união, combinando a força do boi-bumbá com elementos do funk, indie pop e música eletrônica.
No refrão, a expressão “Yandé Reté Tatá Wasú” representa, segundo Eric, a ideia de que “nosso corpo é um Fogo Grande”. A faixa reconhece os povos indígenas como guardiões de uma chama que mantém viva a floresta, os territórios e a memória amazônica, ao mesmo tempo em que propõe um chamado coletivo para reacender o espírito e fortalecer a vida.
“Tatá Wasú é uma música de vida. Quando eu canto ‘Yandé Reté Tatá Wasú’, estou dizendo que nosso corpo é um Fogo Grande, que existe uma chama dentro de nós que precisa continuar acesa. Para mim, enquanto artista Baré, esse fogo também representa os povos indígenas que mantêm viva a floresta, a memória e a própria Amazônia”, afirma Eric Max.
A música faz parte do Ixé Pop Amazônico, linguagem desenvolvida pelo artista para aproximar identidade indígena, território e vivências amazônicas das sonoridades do pop contemporâneo. “Tatá Wasú” sucede os singles “Rio Negro”, “Mucura” e “Encanta Não” e aposta em tambores, bumbos e na batucada amazônica, combinados à cadência do funk, indie pop e música eletrônica.
Moda, música e protagonismo
A presença de “Tatá Wasú” na passarela dialogou com a proposta do PERIFERI de colocar diferentes identidades e narrativas amazônicas no centro da cena criativa. Para Lucas Melquids, diretor e fundador do Amazonic Trend, o projeto nasceu da necessidade de mostrar que as periferias também são espaços de produção de moda, cultura, arte e criatividade.
“A proposta é colocar esses talentos no centro da cena e mostrar uma periferia que cria, sonha, empreende e ocupa espaços”, explica Melquids.
Segundo o diretor, a proposta vai além de utilizar referências periféricas apenas como inspiração visual. “Existe uma grande diferença entre usar a periferia como estética e dar protagonismo para quem realmente vive nela. O PERIFERI não quer reproduzir uma imagem da periferia criada por quem está de fora. Quer mostrar a periferia pelas mãos, pelos corpos, pelas histórias e pela criatividade de quem faz parte dela”, afirma.
“Tatá Wasú”
Produzida por Eric Max Sales Guimarães Gonnet e Toni Arcelinni, “Tatá Wasú” também ganhou um videoclipe dirigido por Ju Damasio, da Produtora do Fim do Mundo. Gravado no Rio de Janeiro, o audiovisual reúne elenco indígena e afro-brasileiro e conta com a participação da Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (SIFBA).
No trabalho, música e futebol são utilizados como territórios de encontro, pertencimento e resistência. O videoclipe também conta com apoio do Grupo Arco-Íris e participação de seu fundador, Cláudio Nascimento, aproximando as lutas indígenas, negras e LGBTQIAPN+.
Para Eric Max, sua produção artística busca unir entretenimento e mensagens de fortalecimento. “Minha música existe para curar. É entretenimento, mas também é mensagem de cura, reza forte para dançar e despertar o espírito para o positivo”, completa.
