Dia Nacional de Combate ao Fumo: tabagismo eleva risco de câncer de pulmão
Exames de imagem, como a tomografia computadorizada, ajudam a identificar alterações pulmonares precocemente e contribuem para o diagnóstico
Associado a diversas doenças respiratórias e cardiovasculares, o tabagismo é um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão. Dados do Ministério da Saúde mostram que, após estagnar desde 2019, o número de fumantes voltou a crescer no Brasil em 2024, reacendendo o alerta das autoridades de saúde, especialmente em relação ao uso de cigarros eletrônicos entre os jovens. O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, reforça a preocupação com os impactos do cigarro no organismo, uma vez que o hábito pode provocar alterações graves e progressivas.
As principais doenças relacionadas ao tabagismo são a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que engloba a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, doenças pulmonares intersticiais e o câncer de pulmão. Segundo a médica radiologista Letícia Anversa, do Sabin Diagnóstico e Saúde, sinais como tosse persistente, falta de ar progressiva, chiado no peito, dor torácica, rouquidão prolongada, perda de peso involuntária, escarro com sangue e infecções respiratórias frequentes merecem atenção, especialmente entre fumantes e ex-fumantes. "Muitas dessas condições, como o câncer de pulmão em estágio inicial, podem não apresentar sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce", destaca.
Imagens ajudam no diagnóstico
Os exames de imagem têm papel fundamental nesse processo, especialmente a tomografia computadorizada. Segundo a médica, o exame é capaz de detectar alterações pulmonares sutis antes mesmo do aparecimento de sintomas importantes, contribuindo para a identificação precoce das doenças e para melhores possibilidades de tratamento.
"No caso do câncer de pulmão, a tomografia consegue detectar pequenos nódulos que não seriam identificáveis em uma radiografia convencional", diz a radiologista. Ela explica que a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose é atualmente a técnica indicada para rastreamento em indivíduos de alto risco, como fumantes e ex-fumantes com elevada carga tabágica, mesmo na ausência de sintomas.
Além da avaliação pulmonar, os exames de imagem também podem evidenciar alterações cardiovasculares associadas ao tabagismo, como sinais de aterosclerose coronariana e da aorta. De acordo com Letícia, a tomografia computadorizada ainda é essencial para investigar doenças respiratórias relacionadas ao cigarro, permitindo identificar precocemente alterações características do enfisema pulmonar e de doenças intersticiais.
"Os riscos associados ao tabagismo não desaparecem imediatamente após a interrupção do cigarro. Ex-fumantes permanecem com risco aumentado para doenças pulmonares e cardiovasculares por muitos anos, embora esse risco diminua progressivamente com o tempo de cessação do tabagismo", alerta. Nesse sentido, o diagnóstico precoce pode possibilitar tratamentos menos agressivos, maiores chances de cura nos casos de câncer de pulmão e melhor controle das doenças respiratórias crônicas relacionadas ao tabaco.
