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Novas regras reforçam controle sobre cannabis medicinal no Brasil

Novas regras reforçam controle sobre cannabis medicinal no Brasil


Em um mercado que já reúne 873 mil pacientes, norma da Anvisa atualiza a prescrição, a dispensação e o acompanhamento dos tratamentos

O uso de cannabis medicinal continua crescendo no Brasil, segundo relatório anual do Núcleo Kaya Mind, especializado no setor. O documento mostra que o Brasil encerrou 2025 com 873 mil pacientes em tratamento com produtos à base da substância, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Em meio à expansão do acesso, novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizaram critérios relacionados à fabricação, prescrição, dispensação e controle desses produtos.
Em vigor desde maio de 2026, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 1.015, mantém a exigência de prescrição médica, mas altera as regras conforme a concentração de THC (tetrahidrocanabinol) presente no produto. Para formulações com teor de até 0,2%, passa a ser exigida a Receita de Controle Especial em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia, substituindo a antiga Notificação de Receita B1 (talonário azul).
Já para produtos com concentração de THC superior a 0,2%, permanece obrigatória a Notificação de Receita A (receita amarela), utilizada para substâncias entorpecentes. Em ambos os casos, a prescrição tem validade de 30 dias a partir da emissão, período em que o medicamento deve ser adquirido.
Outra mudança reforçada pela norma é que a dispensação deve ser realizada exclusivamente por farmacêutico, com registro obrigatório no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). A regulamentação também mantém a proibição de publicidade voltada ao público em geral e da distribuição de amostras grátis.
"A nova regra deixa claro que a farmácia tem responsabilidade técnica em cada etapa da dispensação, e não apenas na entrega do produto. É preciso conferir a receita, verificar a dosagem prescrita e orientar o paciente sobre o uso correto, armazenamento e possíveis interações com outros medicamentos", explica o supervisor farmacêutico da rede Santo Remédio, Jhonata Vasconcelos.
O papel das farmácias, aliás, tem se tornado cada vez mais relevante para ampliar o acesso aos produtos à base de cannabis. Segundo o mesmo levantamento da Kaya Mind, as drogarias já representam o segundo principal canal de acesso dos pacientes (33,6%), atrás apenas da importação direta (40,5%).
 
Cuidados
Segundo a Anvisa, os produtos à base de cannabis não possuem registro como medicamentos convencionais, mas recebem autorização sanitária para uso medicinal em situações específicas, principalmente quando outras alternativas terapêuticas não apresentam resultados satisfatórios. A indicação deve ser feita sempre após avaliação individual por médico ou cirurgião-dentista habilitado.
"O tratamento parte de uma avaliação completa do histórico de saúde, das demais medicações em uso e do quadro clínico do paciente", afirma Jhonata. Segundo ele, na prática clínica, esses produtos podem ser prescritos para pacientes com condições como dores crônicas, epilepsias refratárias, distúrbios do sono, ansiedade, enxaqueca e para o controle de efeitos colaterais de tratamentos oncológicos, como náuseas e perda de apetite, sempre conforme avaliação do profissional responsável.
Outra orientação importante é manter acompanhamento contínuo com o profissional de saúde. Como os produtos exigem receita com prazo de validade, o paciente precisa retornar periodicamente para que o tratamento seja reavaliado, com possíveis ajustes de dose e monitoramento da resposta clínica.
"A farmácia também está disponível para esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia do tratamento e orientar sobre o uso correto dos produtos, mas esse acompanhamento não substitui o acompanhamento médico", reforça o supervisor farmacêutico da Santo Remédio.