Gasolina volta à faixa dos R$ 7 e reacende comparação entre Lula e Bolsonaro
O preço da gasolina voltou a atingir a faixa dos R$ 7 em diferentes regiões do país e reacendeu o debate entre consumidores sobre o custo do combustível durante os governos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O aumento tem pesado principalmente para profissionais que dependem do veículo para garantir a renda diária, como motoristas de aplicativo, motociclistas e pequenos empresários.
Nos últimos anos, o litro da gasolina alcançou valores elevados em diferentes momentos das duas gestões. Entre 2021 e 2022, durante o governo Bolsonaro, a disparada do petróleo no mercado internacional, a valorização do dólar e a política de preços da Petrobras contribuíram para que o combustível ultrapassasse os R$ 7 em diversos estados.
Já no atual governo Lula, a gasolina voltou a se aproximar desse patamar em algumas localidades, cenário influenciado pela recomposição dos tributos federais, reajustes na cadeia de distribuição, além das oscilações do petróleo e da taxa de câmbio.
Motoristas sentem impacto diariamente
Os trabalhadores que dependem do combustível para exercer suas atividades. Entre eles, há quem considere que os gastos aumentaram nos últimos anos e quem avalie que os preços elevados persistem independentemente do governo.
Motorista de aplicativo, Rodrigo Carvalho afirma que, no período anterior, conseguia economizar mais ao abastecer.
“Naquela época a gente encontrava gasolina por cinco e pouco, seis reais em promoção. Eu acredito que economizava mais do que hoje. Agora está caótico. O combustível aumentou muito e pesa bastante para quem trabalha dirigindo”, disse.
Para Andrey Freitas, também motorista de aplicativo, a realidade da categoria é de constantes reajustes, sem percepção de redução no preço.
“Para ser sincero, tanto faz um governo ou outro, não teve redução. A gente trabalha em aplicativo e precisa abastecer todos os dias. Cada vez que chega ao posto o preço aumentou, e isso reflete diretamente no bolso de quem trabalha e também do consumidor.”
Já o autônomo Neto Ferreira tem uma percepção diferente. Segundo ele, apesar da gasolina continuar cara, o preço atual está abaixo dos picos registrados anteriormente.
“No governo Bolsonaro o combustível chegou perto de R$ 10. Hoje não está barato, mas também não está tão alto. Deu para economizar um pouco.”
Empresários também reclamam
O empresário do setor de panificação Júnior Azevedo afirma que o aumento do combustível impacta diretamente sua rotina de trabalho.
“Eu lembro que abastecia com R$ 20 e conseguia rodar bastante. Hoje preciso abastecer duas ou três vezes para conseguir trabalhar. Não estou economizando, só gastando mais.”
O industriário Erivan Oliveira também avalia que perdeu poder de compra com o aumento dos preços.
“No governo Bolsonaro a gasolina estava mais baixa e dava para economizar. Agora está muito cara e a gente sente no bolso.”
O eletricista George Cortez considera que o combustível continua caro em qualquer comparação entre os dois governos.
“Continua no mesmo patamar de preço alto. Antes já era caro e agora também está. Uma moto que eu abastecia com R$ 15 hoje precisa de R$ 30. Infelizmente tudo ficou mais caro.”
O que influencia o preço da gasolina?
Especialistas explicam que o preço final da gasolina não depende apenas das decisões do governo federal. O valor pago pelo consumidor é resultado da combinação de diversos fatores, como a cotação internacional do petróleo, a variação do dólar, os custos de produção e refino, despesas com transporte e distribuição, além da incidência de tributos federais e estaduais e das margens de comercialização.
Embora o combustível tenha atingido a faixa dos R$ 7 em momentos distintos dos governos Bolsonaro e Lula, economistas apontam que cada período foi marcado por conjunturas econômicas diferentes, o que dificulta uma comparação direta apenas pelo preço nas bombas.
Impacto no orçamento
Enquanto o debate político continua, o consenso entre os consumidores ouvidos pelo Portal Amazonas1 é que o aumento da gasolina reduz o poder de compra e compromete o orçamento familiar, principalmente de quem utiliza o veículo como ferramenta de trabalho. Para esses profissionais, cada reajuste representa um desafio adicional para manter a renda e equilibrar as despesas do dia a dia.
