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Com sobrevoos no Acre, cientistas encontram quase 400 novos geoglifos na Amazônia

Com sobrevoos no Acre, cientistas encontram quase 400 novos geoglifos na Amazônia

Cientistas encontraram 396 geoglifos escondidos nas florestas do sul da Amazônia após uma série de sobrevoos que incluiu trajetos a partir de Rio Branco. A pesquisa usou uma tecnologia de mapeamento 3D a laser capaz de registrar o relevo abaixo da vegetação e revelou estruturas que não apareciam em imagens de satélite.

⏩ Os geoglifos são grandes construções feitas com valas e estruturas de terra, geralmente organizadas em formas geométricas.

O levantamento abrangeu cerca de 4,8 mil quilômetros quadrados em uma área que inclui o Acre, o sul do Amazonas e regiões da Bolívia e do Peru. O estudo foi publicado nessa quarta-feira (29) na revista científica Nature e reuniu pesquisadores brasileiros e finlandeses.

O botânico Evandro Ferreira, da Universidade Federal do Acre (Ufac), que coordenou a equipe brasileira do estudo, explicou que apenas 9% das estruturas identificadas já eram conhecidas em áreas abertas.

“A pesquisa encontrou novos geoglifos. Antes do levantamento, apenas 36 estruturas do tipo eram conhecidas na região. Com as novas descobertas, o número de geoglifos mapeados chegou a 432 nessa região mapeada”, contou.

Os cientistas usaram aviões com aparelhos de lidar, uma tecnologia de radar a laser para mapeamento das áreas em três dimensões. Durante os sobrevoos, o equipamento registra informações sobre a vegetação e também alcança o solo.Depois, os dados são processados em computador. Com isso, os pesquisadores conseguem retirar virtualmente a cobertura vegetal e observar apenas a topografia do terreno, o que permite identificar marcas e estruturas escondidas pela floresta.

“Contratamos uma empresa para fazer o serviço com esses equipamentos, que são muito caros. Parte dos sobrevoos saiu de Manoel Urbano, no Acre, em direção a Catuiri, no Amazonas, e seguiu até Lábrea. Também fizemos dez linhas de sobrevoo partindo de Rio Branco, passando por Boca do Acre até chegar a Lábrea. Cada uma dessas linhas cobria uma faixa de aproximadamente 10 quilômetros de largura”, explicou Evandro.

Antes do uso da tecnologia, a maior parte dos geoglifos era identificada em áreas desmatadas. Sem a cobertura vegetal, as formas das antigas construções ficavam expostas e podiam ser observadas por imagens aéreas e de satélite.

De acordo com Evandro, a pesquisa teve como ponto de partida um estudo publicado em 2023 por um grupo liderado por um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O trabalho utilizou o lidar em sobrevoos pela Amazônia e apontou que milhares de geoglifos ainda poderiam estar escondidos sob a floresta.

Além disso, o grupo de pesquisadores também publicou, naquele ano, um levantamento que identificou cerca de 1,2 mil geoglifos em áreas já desmatadas.

A partir desses resultados, os pesquisadores decidiram ampliar a investigação com o uso da nova tecnologia no sul da Amazônia.

Estudo aponta novas descobertas

 

A quantidade de geoglifos identificada durante os sobrevoos permitiu aos pesquisadores estimar o potencial de novas descobertas em uma área mais ampla do sul da Amazônia.

A região analisada se estende por parte do Acre e do sul do Amazonas, alcança o Norte de Rondônia e inclui áreas da Bolívia e do Peru. A delimitação considera a presença de geoglifos e outros dados obtidos em pesquisas arqueológicas.

De acordo com coordenador, a área tem cerca de 185 mil quilômetros quadrados e pode abrigar até 30 mil geoglifos. A estimativa foi feita com base na quantidade de estruturas encontradas durante o levantamento.