Empresas suspendem atividades em meio a vazamento de gás no Distrito Industrial
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, informou que dez empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) liberaram seus trabalhadores enquanto o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ainda trabalha no resfriamento do tanque de monômero de estireno que superaqueceu e provocou o vazamento de vapores na tarde dessa quarta-feira (15). O caso ocorreu em uma unidade da empresa Innova localizada no bairro Distrito Industrial I.
“O local segue sendo resfriado e Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos do Corpo de Bombeiros também atua na ocorrência. O comando do Corpo de Bombeiros confirmou nova fase de resfriamento interno dos silos, e essa ação pode gerar mais gases momentaneamente, por isso a Moto Honda da Amazônia decidiu liberar 100% os colaboradores e terceiros, devido ao retorno dos gases, mesmo em intensidade menor, contudo como medida”, disse.
Além da Moto Honda, também suspenderam as atividades as indústrias LG Eletronics da Amazônia, Boreo Indústria de Componentes Ltda, Yamaha, Venttos Eletronics, Engie, Electrolux do Brasil, PCE Embalagens, Digiboard Eletrônica da Amazônia e P&G. A entidade continua acompanhando o caso junto às autoridades e prestou solidariedade à direção da Innova e seus trabalhadores.
A cidade de Manaus permanece em estado de alerta devido ao vazamento, que liberou um forte odor semelhante a tina e foi sentido em bairros de várias zonas da capital. Em nota, a Innova afirmou que a situação foi controlada pela brigada de incêndio e pelo Corpo de Bombeiros, sem ocorrência de “incêndio, vazamento do produto líquido ou de efluentes para fora dos diques de contenção e, o mais importante, sem vítimas”.
“O líquido sofreu elevação anormal de temperatura, liberando vapores de forma controlada pelos próprios dispositivos de segurança do equipamento. A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela companhia e todo o resíduo proveniente recebeu destinação adequada, sendo armazenado para subsequente tratamento de acordo com as normas ambientais vigentes”, disse.
O gás de estireno vazou no final da tarde dessa quarta-feira (15), provocando forte odor semelhante a tinta. A Prefeitura de Manaus estabeleceu um gabinete de crise para monitorar a questão e, na manhã desta quinta-feira (16), a Defesa Civil do Amazonas emitiu um alerta mantendo as medidas de segurança ativas.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) também se manifestou sobre a ocorrência. O superintendente Leopoldo Montenegro afirmou que todas as medidas necessárias e cabíveis “no que diz respeito à avaliação das etapas produtivas, dos incentivos fiscais, no que compete à Suframa, ela fará”. Ele informou que autarquia dará todo o suporte aos trabalhadores e aos órgãos competentes.
Em nota oficial, a autarquia prestou solidariedade aos trabalhadores, aos familiares e às demais pessoas atingidas pelo vazamento e lembrou que exige, “nas vias adequadas, s informações circunstanciadas sobre as medidas de contenção adotadas e sobre os efeitos da ocorrência na regularidade do projeto aprovado e nas condições de uso do lote”.
“A operação segura das instalações é obrigação da empresa, nos termos das licenças que detém e a apuração das causas e suas decorrências sanitárias, ambientais e de saúde ao trabalhador exigem apuração pelos órgãos e vias competentes, dos quais os resultados a Suframa atuará e acompanhará integralmente”, disse.
A Suframa também recomendou às empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e aos sindicatos patronais que avaliassem a adoção de medidas voltadas à preservação da saúde e segurança dos trabalhadores, incluindo a possibilidade de liberar os funcionários de empresas na área afetada.
“A medida busca resguardar a integridade dos colaboradores em consonância com as orientações da Defesa Civil do Amazonas e dos demais órgãos responsáveis pelo gerenciamento da ocorrência”, frisou.
Orientações
O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) orientou os trabalhadores que procurassem atendimento médico imediatamente caso apresentassem sintomas como dor de cabeça, enjoo, irritação nos olhos ou pele, dificuldade para respirar ou qualquer outro mal-estar. A diretoria continua em contato com representantes do setor patronal e empresas instaladas nas imediações da Innova para acompanhar as medidas de segurança aos trabalhadores.
“Guarde toda a documentação relacionada a atendimento médico, como atestados, exames, receitas, laudos, prontuários e comprovantes. Ainda é cedo para dimensionar todos os impactos decorrentes da ocorrência. Caso, futuramente, seja constatada qualquer relação entre a exposição ao produto e eventuais danos à saúde, esses documentos poderão ser importantes para resguardar os direitos do trabalhador”, destacou o Sindmetal.
