Calor extremo impulsiona novas soluções na construção civil
O aumento das temperaturas e a maior frequência de ondas de calor na Região Norte devem transformar, cada vez mais, a forma de projetar e construir empreendimentos habitacionais. De acordo com projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média global pode subir entre 2°C e 4°C até o fim do século, a depender do cenário de emissões de gases de efeito estufa, enquanto estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que a Amazônia está entre as regiões brasileiras mais vulneráveis ao aquecimento.
O aumento da temperatura média favorece a ocorrência de dias ainda mais quentes e prolonga os períodos de calor intenso nas cidades da região. Por conta disso, construtoras têm investido em projetos que privilegiem estratégias passivas de climatização, reduzindo a necessidade de equipamentos de refrigeração e proporcionando mais qualidade de vida aos moradores.
Entre as empresas que vêm incorporando essas soluções está a MRV, que adota, no Amazonas, critérios de engenharia e arquitetura voltados ao desempenho térmico das edificações. Um dos principais recursos utilizados na construção de empreendimentos no estado é a ventilação cruzada, técnica que consiste em posicionar aberturas em lados opostos ou estrategicamente distribuídas no imóvel para permitir a circulação contínua do ar.
A renovação natural do fluxo de vento favorece a dissipação do calor acumulado nos ambientes internos, podendo reduzir a sensação térmica em até 3°C, conforme as condições climáticas, o projeto arquitetônico e a intensidade da ventilação natural. O resultado são apartamentos mais confortáveis, especialmente em regiões de clima quente e úmido como a Amazônia. A estratégia é amplamente reconhecida por especialistas em eficiência energética e conforto ambiental por melhorar significativamente a ventilação natural das edificações.
Antes mesmo do início das obras, a empresa também realiza estudos de engenharia para definir o melhor posicionamento dos edifícios no terreno. A análise considera fatores como a trajetória do sol ao longo do dia, a incidência da radiação solar nas fachadas e a direção predominante dos ventos. Com isso, os blocos são posicionados para favorecer a ventilação natural, minimizar a entrada excessiva de calor e proporcionar melhores condições de conforto térmico aos moradores ao longo de todo o ano.
Segundo Jean Paulo Vieira, analista ambiental da MRV no Amazonas, as medidas refletem uma mudança de paradigma na construção civil, que passa a considerar os efeitos das mudanças climáticas desde a fase de planejamento dos empreendimentos. "Hoje, não basta construir com qualidade estrutural. É fundamental desenvolver projetos que respondam às condições climáticas da região. A ventilação cruzada é uma das soluções que permitem maior circulação de ar dentro dos apartamentos, reduzindo a sensação de calor e proporcionando mais conforto aos moradores de forma natural", afirma.
A adoção dessas soluções acompanha uma tendência crescente da construção civil brasileira de desenvolver empreendimento mais resilientes às mudanças climáticas. Com o avanço das temperaturas projetado para as próximas décadas, estratégias como ventilação cruzada, orientação adequada das edificações e aproveitamento das condições naturais do terreno tendem a se tornar cada vez mais relevantes para garantir conforto térmico, eficiência energética e sustentabilidade nas cidades, especialmente na Região Norte.
