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Pesquisa identifica relação entre alterações genéticas e doença de Alzheimer

Pesquisa identifica relação entre alterações genéticas e doença de Alzheimer

Um estudo publicado na revista científica Cell identificou uma possível relação entre alterações genéticas associadas a cânceres do sangue e mecanismos ligados ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. A descoberta, divulgada na quinta-feira (11/6), pode ajudar cientistas a compreender melhor o papel da inflamação cerebral no avanço da enfermidade.

A pesquisa, conduzida por cientistas dos Estados Unidos, analisou 311 amostras de tecido cerebral para investigar o comportamento de células do sistema imunológico em pessoas com Alzheimer. Os resultados não indicam que o câncer provoque a doença, mas apontam que mutações genéticas comuns no envelhecimento e frequentemente associadas a cânceres hematológicos, podem influenciar processos neurodegenerativos.

Os pesquisadores concentraram a análise em genes ligados à hematopoiese clonal, fenômeno em que células do sangue acumulam alterações genéticas ao longo da vida e passam a se multiplicar de forma mais intensa. Entre os genes mais afetados estavam TET2, DNMT3A e ASXL1, conhecidos por sua relação com cânceres do sangue e envelhecimento celular.

O estudo mostrou que cérebros de pacientes com Alzheimer apresentavam maior número dessas mutações. Além disso, cientistas observaram que algumas alterações identificadas nas células de defesa do cérebro também estavam presentes no sangue dos mesmos indivíduos, sugerindo que células imunes podem migrar para o cérebro e contribuir para processos inflamatórios ligados à doença.

O estudo mostrou que cérebros de pacientes com Alzheimer apresentavam maior número dessas mutações. Além disso, cientistas observaram que algumas alterações identificadas nas células de defesa do cérebro também estavam presentes no sangue dos mesmos indivíduos, sugerindo que células imunes podem migrar para o cérebro e contribuir para processos inflamatórios ligados à doença.

Segundo os autores, as células com mutações demonstraram maior atividade inflamatória e capacidade de multiplicação, o que pode agravar danos aos neurônios. Ainda assim, os pesquisadores destacam que os resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito.

O Alzheimer é a forma mais comum de demência entre idosos e afeta progressivamente memória, raciocínio e outras funções cognitivas. A principal contribuição do estudo, segundo os cientistas, é abrir caminho para novas investigações sobre como alterações celulares relacionadas ao envelhecimento podem influenciar o desenvolvimento da doença.