Robôs autônomos no Brasil já marcam presença em tarefas domésticas. O que significa para os empreendedores?
Tecnologia tem feito parte do dia a dia de famílias brasileiras, e especialista afirma que o setor já se mostra “promissor para donos de negócio”
A presença de dispositivos inteligentes dentro de casas brasileiras já não é mais novidade. De acordo com uma pesquisa da TP-Link com a consultoria GfK, 86% das residências do país possuem, pelo menos, um item automatizado e controlado de forma remota. Os robôs autônomos aparecem nessa porcentagem como ferramentas de apoio durante as tarefas domésticas.
A partir de robôs de limpeza, de cozinha, organizadores e – até mesmo – assistentes pessoais, a tecnologia tem crescido e auxiliado com a otimização de rotinas. Por meio de sensores e inteligência artificial, a categoria consegue se adaptar ao ambiente e executar as funções programadas para ela. Um exemplo clássico é o robô aspirador, que é capaz de mapear o local, identificar a sujeira e ajustar o trajeto para cobrir o espaço.
Segundo o especialista em robôs para empresas e em varejo, Erlon Labatut, a ascensão dos robôs autônomos no Brasil significa uma abertura de portas para os empreendedores. Em sua visão, o setor já é observado como promissor pelos investidores, principalmente pela forte utilização de recursos tecnológicos e automatizados, capazes de atender a diversas demandas.
“O interesse crescente por robótica no país também revela uma mudança no perfil dos negócios que estão surgindo e se expandindo. Empreendedores olham para a tecnologia não apenas como suporte, mas como parte central da proposta de valor. Assim, surgem operações mais flexíveis e com novas possibilidades de atuação. O movimento acaba atraindo capital porque aponta para modelos que já nascem mais conectados às transformações do mercado”, explica.
De acordo com uma pesquisa da Fortune Business Insights, o mercado global de robôs domésticos foi avaliado em US$ 13,9 bilhões em 2025. O estudo divulgado pelo Grupo IMARC complementa que há a estimativa de que o mercado brasileiro alcance US$ 4,9 bilhões até 2034, o que corrobora com a projeção de crescimento nacional apontada por Labatut.
O especialista destaca que a variedade para aplicação dos robôs autônomos domésticos facilita a definição de estratégias por parte dos empreendedores. Segundo ele, essa diversidade permite identificar demandas específicas e desenvolver soluções mais personalizadas. “Em vez de um modelo único, abre-se espaço para negócios segmentados, que atendem diferentes necessidades do dia a dia”, analisa.
Robôs autônomos domésticos no futuro
Labatut também avalia alguns pontos estratégicos que empreendedores podem considerar para o futuro da tecnologia. O especialista pontua que a evolução de casas inteligentes deve ser observada com atenção, uma vez que os robôs podem se integrar cada vez mais aos sistemas e, dessa forma, auxiliarem ainda mais nas tarefas cotidianas.
Ele ainda afirma que, com o avanço das IAs, as máquinas poderão ser capazes de aprenderem hábitos de usuários e se adaptarem melhor aos ambientes, com a execução de demandas mais complexas. Além disso, “há nichos pouco explorados” pelos investidores, segundo o especialista.
“Conseguimos pensar em serviços de limpeza e segurança quando pensamos nesses robôs. Porém, existem mercados que também merecem um olhar mais aprofundado, como o da saúde. Alguns robôs podem contribuir com cuidados de pessoas e de pets, por exemplo, o que abre ainda mais margem para trabalhar a robótica”, diz.
Apesar de promissor, Labatut sinaliza que é importante que os empreendedores estejam atentos aos riscos que o segmento pode apresentar. Para ele, “os donos de negócios precisam compreender que o setor irá além da simples comercialização dos robôs”, visto que a tendência de popularização pode tornar os equipamentos mais acessíveis. O especialista também alerta para a rápida evolução tecnológica, o que pode tornar as máquinas obsoletas com o tempo – o que exige atualização e manutenção constantes.
