FAEA destaca benefícios e expectativas relacionadas ao acordo Mercosul-União Europeia, em vigor desde 1º de maio
A entrada em vigor provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, em 1º de maio de 2026, abre uma nova perspectiva para o agronegócio brasileiro e, no Amazonas, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (FAEA) desponta como uma das principais instituições estratégicas para conduzir o setor diante das oportunidades e desafios que surgem com o novo cenário internacional.
Na avaliação da FAEA, o acordo representa uma oportunidade histórica para ampliar a inserção dos produtos amazônicos no mercado europeu, especialmente aqueles ligados à sustentabilidade, à bioeconomia e à produção de valor agregado. Com a redução gradual de tarifas e maior abertura comercial, cadeias produtivas como café, cacau, açaí, guaraná, castanha, pescado manejado e óleos vegetais passam a ter um ambiente mais favorável para exportação.
O presidente da entidade, Muni Lourenço, destaca que o Amazonas possui diferenciais competitivos únicos, sobretudo pela forte conexão entre produção agropecuária e preservação ambiental. “Em um mercado europeu cada vez mais exigente em relação à rastreabilidade e às práticas sustentáveis, o estado pode transformar sua biodiversidade em vantagem econômica, fortalecendo modelos produtivos alinhados à conservação florestal”, afirmou.
Nesse contexto, a Federação entende que seu papel será essencial para preparar produtores rurais e cadeias produtivas amazonenses para as novas exigências internacionais. Entre as principais frentes apontadas pela instituição estão o fortalecimento da assistência técnica, a capacitação de produtores, o incentivo à regularização ambiental e fundiária, além da ampliação do acesso à tecnologia e às certificações exigidas pelo mercado europeu.
A FAEA também observa que o acordo tende a impulsionar investimentos em agroindustrialização e agregação de valor, fator considerado fundamental para o desenvolvimento regional. A expectativa é que o Amazonas avance não apenas na exportação de matéria-prima, mas também na comercialização de produtos processados e diferenciados, aumentando renda, competitividade e geração de empregos no interior do estado.
Para Muni, o setor cafeeiro amazonense simboliza bem esse potencial. Municípios do sul do Amazonas vêm registrando crescimento na produção de café robusta amazônico, incluindo nichos de cafés especiais. Com o novo acordo comercial, a perspectiva é de maior competitividade do produto brasileiro no mercado europeu, abrindo espaço para a valorização da produção regional.
Ao mesmo tempo, a FAEA reconhece que os desafios são consideráveis. As exigências sanitárias e ambientais da União Europeia devem pressionar ainda mais por rastreabilidade, controle de origem e cadeias produtivas livres de desmatamento. Além disso, gargalos logísticos históricos do Amazonas continuam sendo um obstáculo para ampliar a competitividade internacional dos produtos locais.
Diante desse cenário, Muni reforça a necessidade de integração entre setor produtivo, instituições e poder público para que o Amazonas consiga aproveitar plenamente as oportunidades geradas pelo acordo UE-Mercosul. “O momento exige planejamento, investimento em inovação e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis. Mais do que um acordo comercial, o novo cenário internacional representa uma oportunidade para consolidar o Amazonas como referência em um agronegócio sustentável, moderno e conectado às demandas globais do futuro”, ressaltou Muni.
