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Telefone “retrô” com Wi-Fi vira febre entre crianças nos EUA e desafia domínio dos smartphones

Telefone “retrô” com Wi-Fi vira febre entre crianças nos EUA e desafia domínio dos smartphones

Enquanto grande parte das crianças corre para tablets e celulares ao chegar em casa, os filhos de Justin Finn seguem um hábito que parece saído dos anos 1990: atender um telefone fixo.

O aparelho em questão é o “Tin Can”, um telefone com visual retrô e conexão Wi-Fi que se tornou uma verdadeira febre entre famílias nos Estados Unidos. Lançado em abril de 2025, o dispositivo custa cerca de US$ 100 e já vendeu centenas de milhares de unidades, impulsionado principalmente pela divulgação boca a boca.

Sem redes sociais, jogos ou telas

A proposta do aparelho é justamente fugir do excesso de telas. Diferente de smartphones tradicionais, o Tin Can não possui aplicativos, redes sociais, jogos ou acesso à internet aberta. O dispositivo funciona apenas para chamadas de voz entre contatos autorizados pelos pais.

Segundo a empresa criadora, o objetivo é permitir que crianças tenham autonomia para conversar com amigos e familiares sem exposição aos riscos das redes sociais e da hiperconectividade.

O aparelho também possui recursos como viva-voz, secretária eletrônica, discagem rápida e controle parental por aplicativo. Os responsáveis conseguem definir quais números podem ligar, horários de uso e até ativar o modo “não perturbe”.

Escolas aderem à tendência

O sucesso do dispositivo já começou a alcançar escolas americanas. Em algumas instituições, aparelhos chegaram a ser distribuídos gratuitamente para incentivar a comunicação entre crianças sem a necessidade de smartphones.

Pais relatam que os filhos passaram a interagir mais com amigos, marcar encontros e conversar com familiares de forma mais espontânea, sem depender das redes sociais.

“Existe um entusiasmo real em torno dele que não vimos com muitas outras novidades dentro de casa”, afirmou Justin Finn em entrevista à Bloomberg.

Nostalgia e “desintoxicação digital”

Especialistas apontam que o fenômeno acompanha um movimento crescente de “desintoxicação digital”, impulsionado por famílias preocupadas com o impacto do uso excessivo de celulares e redes sociais na infância.

Além da funcionalidade limitada, o design vintage também ajuda a explicar o sucesso do produto. O CEO da empresa, Chet Kittleson, afirmou que a ideia era criar algo que remetesse à infância dos próprios pais.

“Queríamos algo imediatamente familiar para os adultos, algo que lembrasse uma infância mais simples”, declarou o executivo.

Com lotes esgotando rapidamente e filas de espera para novas entregas, o Tin Can já é visto como um dos produtos tecnológicos mais curiosos da nova geração — justamente por apostar no caminho oposto ao dos smartphones modernos.