Mulheres em cargos de liderança recebem 37,3% a menos que homens, aponta levantamento
Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta que mulheres em cargos de direção e gerência no Amazonas tem remuneração 37,3% menor do que homens que exercem a mesma função. Os números datam de dezembro de 2025 e mostram ainda que o índice amazonense é maior do que a média nacional, de 26,9%, além de ter havido um aumento na desigualdade em relação a 2024, quando mulheres ganhavam 36,1% a menos que homens nos cargos de direção e gerência.
A diferença detectada em 2025 também ocorre entre profissionais técnicos de nível médio. Nesse segmento, as mulheres possuem uma remuneração média 34,1% menor que trabalhadores homens no Amazonas. Entre os profissionais que ocupam cargos com exigência de ensino superior, a remuneração média das mulheres é 30,8%.
As mulheres no Amazonas continuam enfrentando disparidades salariais significativas em relação aos homens, segundo dados mais recentes do mercado de trabalho. Em cargos de liderança, a diferença chega a 37,3%, evidenciando um cenário persistente de desigualdade.
Nos níveis operacionais e administrativos, as diferenças são menores, mas ainda relevantes. Enquanto nas atividades operacionais as mulheres recebem cerca de 26% a menos, nos serviços administrativos a diferença é de 12%. Na média geral, a remuneração feminina no estado é 20,9% inferior à dos homens.
Os dados, referentes a dezembro de 2025, foram coletados a partir de 830 estabelecimentos que informaram a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), base utilizada pelo Ministério do Trabalho para análises do mercado. No período, foram registrados 286,7 mil vínculos empregatícios, sendo 101,5 mil ocupados por mulheres e 185,2 mil por homens — o que representa 35,4% da força de trabalho feminina em empresas com 100 ou mais funcionários.
Apesar de um leve avanço na participação das mulheres no mercado — com crescimento de 2,5% em relação a 2024 —, a desigualdade salarial aumentou em diversos segmentos. O maior avanço da disparidade foi observado entre profissionais técnicos de nível médio, com alta de 2,2%.
Em termos de rendimento, a média salarial das mulheres no Amazonas foi de R$ 3.045,22, contra R$ 3.848,33 dos homens. O recorte por raça evidencia desigualdades ainda maiores: mulheres negras recebem, em média, R$ 2.917,14, enquanto mulheres não negras chegam a R$ 3.808,97. Entre os homens, os rendimentos médios são de R$ 3.651,98 para negros e R$ 5.176,37 para não negros.
Especialistas apontam que a diferença salarial está ligada a fatores históricos e estruturais. Para a economista Denise Kassama, o cenário reflete uma cultura de desvalorização do trabalho feminino, marcada pela sobrecarga de jornadas e pela desigualdade de oportunidades.
Já a professora Ivânia Vieira, da Universidade Federal do Amazonas, avalia que o problema está associado a estruturas sociais enraizadas, como o machismo e o patriarcado, que ainda influenciam o mercado de trabalho.
Representantes do setor industrial destacam que fatores como baixa presença feminina em cargos de alta gestão, além de interrupções na carreira, como a maternidade, contribuem para a manutenção dessas diferenças.
O relatório reforça a necessidade de políticas voltadas à equidade salarial, transparência nos rendimentos e ampliação de oportunidades para mulheres, especialmente em cargos de liderança.
