Operação “Falso Profeta” revela abusos, tortura e manipulação em igreja no Maranhão
A prisão do pastor Davi Gonçalves Silva, durante a operação “Falso Profeta”, expôs um cenário de violência extrema dentro da igreja Shekinah House Church, localizada em Paço do Lumiar. Segundo a Polícia Civil, o espaço religioso funcionava como um ambiente de abusos físicos, psicológicos e sexuais contra fiéis, muitos deles em situação de vulnerabilidade.
De acordo com as investigações, o líder religioso utilizava punições violentas como forma de controle. Testemunhas relataram que as chamadas “readas” consistiam em agressões com chicote de cavalo, enquanto o castigo denominado “estado” envolvia espancamentos com as próprias mãos. Mensagens encontradas no celular do pastor indicam que ele organizava e distribuía a quantidade de golpes que cada vítima receberia.
Além da violência física, os relatos apontam para abusos psicológicos e sexuais. Jovens e adolescentes eram manipulados emocionalmente, sendo levados a acreditar que atos abusivos faziam parte de uma suposta experiência espiritual. Uma das vítimas afirmou que o pastor distorcia conceitos religiosos para justificar os crimes, causando traumas profundos.
A investigação também revelou um sistema rígido de controle dentro da igreja. O pastor mantinha entre 100 e 150 pessoas isoladas, sob vigilância constante, com câmeras instaladas inclusive em áreas íntimas, como banheiros. A privação de alimentos era utilizada como forma de punição e submissão.
O suspeito permanece preso, e a Polícia Civil segue com as investigações para dimensionar o alcance dos crimes e identificar outras possíveis vítimas. O caso já é considerado um dos mais graves envolvendo abuso religioso no estado, com impacto direto na vida de dezenas de famílias.
