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Delegado e policiais são presos suspeitos de extorquir integrantes do CV

Delegado e policiais são presos suspeitos de extorquir integrantes do CV

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Anomalia II, para desarticular, segundo a corporação, um núcleo criminoso composto por policiais civis do Estado do Rio e operadores financeiros. Agentes cumpriram quatro mandados de prisão preventiva contra um delegado, dois agentes, além do traficante Gabriel Dias de Oliveira, o índio do Lixão,  que já estava preso por conta de outro crime. Também foram cumpridos outros três mandados de busca e apreensão na capital. Todos foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os presos são o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, titular da 44ªDP(Inhaúma), o irmão dele, e chefe do setor de investigações, Franklin José de Oliveira Alves, e ainda o policial civil  Leandro Moutinho de Deus. Já nesta segunda-feira, na primeira etapa da Operação Anomalia, três pessoas foram presas, entre elas um delegado da PF.

O grupo preso, nesta terça-feira, é investigado por suspeita de usar uma delegacia para extorquir dinheiro de integrantes do Comando Vermelho, além de praticar corrupção e lavagem de capitais. Em menos de 24 horas, ao menos 24 policiais foram alvo de prisões em três operações distintas no Rio, suspeitos de envolvimento com o crime organizado.  As investigações, duas da Polícia Federal e uma do Ministério Público do Rio, atingiram um delegado da Polícia Federal, um delegado e outros três agentes da Polícia Civil e 18 policiais militares e penais, da ativa e da inativa, além de um policial civil aposentado investigados por esquema do bicheiro Rogério de Andrade .  Embora conduzidas por órgãos diferentes, as três investigações mostram diferentes níveis de infiltração do crime organizado nas forças de segurança — desde a proteção direta a contraventores até a negociação de favores a traficantes internacionais e a extorsão de integrantes de facções

Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu, na segunda fase da Operação Anomalia II, a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.
Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu, na segunda fase da Operação Anomalia II, a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.

Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu, na segunda fase da Operação Anomalia II, a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos.
 

Na casa de um dos policiais, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, policiais federais realizaram a apreensão de dinheiro em espécie.

 

Esquema era chefiado por delegado, diz PF

 

As apurações revelaram que o esquema era chefiado pelo delegado-titular da delegacia da capital usada como base pelos investigados e por outro policial civil. De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar chefes do tráfico no Rio, exigindo o pagamento de propinas — segundo a PF as quantias eram "significativas" — para omissão em atos de ofício.

A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos. Para operacionalizar o recebimento do dinheiro e manter um distanciamento físico dos chefes do CV, os policiais contavam com a atuação direta de dois intermediários.

 

Movimentação patrimonial milionária e incompatível

 

A inteligência financeira da PF detectou que os policiais investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus vencimentos lícitos. Para promover a ocultação e dissimulação do dinheiro sujo, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada registradas em nome de parentes, agora alvos de suspensão judicial.

A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, instituída em cumprimento ao Acórdão da ADPF 635, que visa a assegurar a atuação uniforme e coordenada da Polícia Federal na produção de inteligência e repressão aos principais grupos criminosos violentos no Estado do Rio. O foco principal é a asfixia financeira e a ruptura das conexões das facções com agentes públicos.

Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que "não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta e atividade ilícita, reiterando seu compromisso de combate ao crime em defesa da sociedade. A instituição acompanha os desdobramentos da operação da Polícia Federal. Serão instaurados processos administrativos disciplinares para apurar a conduta dos servidores".
 

Delegado Federal preso

As ações que tornaram 24 policiais alvo de prisões, foram realizadas entre segunda-feira e a manhã desta terça-feira e apontam três formas distintas de cooptação de agentes públicos por organizações criminosas, incluindo favorecimento a traficantes internacionais, extorsão de integrantes do tráfico e atuação direta na segurança armada de pontos do jogo do bicho.

O primeiro caso ocorreu na segunda-feira, quando a Polícia Federal prendeu o delegado Fabrizio Romano, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários, suspeito de integrar um esquema que negociava vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional de drogas.

Segundo as investigações, o delegado recebia pedidos para intervir em processos e favorecer criminosos em troca de dinheiro. Uma das negociações investigadas envolvia a tentativa de interferir no processo de refúgio do traficante internacional Gerel Palm, procurado pela Interpol e preso no Rio há cinco anos. A PF afirma que o pedido teria sido intermediado pelo advogado Alessandro Carracena, ex-secretário estadual de Esportes no governo Cláudio Castro e ex-secretário municipal de Ordem Pública na gestão Marcelo Crivella.

A investigação teve origem na análise do celular de Carracena, apreendido em 2025, que revelou mensagens com o delegado pedindo interferência no caso do traficante. Em troca, teria sido oferecido pagamento de R$ 150 mil.