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Rússia anuncia vacina terapêutica para câncer colorretal, mas cientistas internacionais pedem cautela

Rússia anuncia vacina terapêutica para câncer colorretal, mas cientistas internacionais pedem cautela

 Agência Federal Médico‑Biológica da Rússia (FMBA) informou, nesta quarta‑feira (11), que concluiu os ensaios clínicos de uma vacina contra o câncer chamada Enteromix, segundo comunicado divulgado durante o 10º Fórum Econômico Oriental, realizado em Vladivostok. Autoridades russas afirmam que o imunizante apresentou alta eficácia e segurança nos testes, com redução significativa no tamanho de tumores e melhora nas taxas de sobrevivência dos pacientes.

 

De acordo com a chefe da agência, Veronika Skvortsova, os resultados demonstraram que a vacina foi capaz de diminuir tumores em uma ampla faixa, de cerca de 60% a 80% nos ensaios pré‑clínicos, e que não foram observados efeitos adversos graves, abrindo caminho para sua aplicação em contexto clínico, após aprovação das autoridades sanitárias russas. O anúncio no fórum, destacou que a vacina foi desenvolvida com tecnologia que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células tumorais, estratégia semelhante à aplicada em imunoterapias modernas e a outras vacinas baseadas em RNA mensageiro.

 

Segundo o governo russo, a expectativa é de que, após a liberação oficial, o imunizante possa ser disponibilizado para uso clínico em pacientes, representando um avanço no tratamento oncológico e potencial melhora nas opções terapêuticas contra determinados tipos de câncer.

No entanto, especialistas internacionais reforçam que o próximo passo natural seria a realização de ensaios clínicos em humanos, divididos em fases 1, 2 e 3, para comprovar segurança e eficácia da vacina, algo que ainda não foi amplamente divulgado em publicações científicas revisadas por pares.

 

Renato Kfouri, vice‑presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destacou que a falta de transparência sobre os dados e a ausência de registro em plataformas como clinicaltrials.org dificultam a avaliação científica da vacina. Projetos similares em outros países, como nos Estados Unidos e no Brasil, têm publicado resultados detalhados em revistas revisadas por pares, facilitando a análise e validação dos achados.