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Rafael Andrade transforma ancestralidade em arte no projeto “Cultura em Alta Costura”

Rafael Andrade transforma ancestralidade em arte no projeto “Cultura em Alta Costura”

 

Projeto de artes visuais aprovado pela Lei Aldir Blanc promove performance-instalação inspirada nos saberes afro-amazônicos

PARINTINS – O artista parintinense Rafael Andrade apresenta no próximo dia 24 de janeiro, às 19h, no Terreiro de Umbanda Ogum Beira-Mar e Cabocla Mariana, o projeto “Cultura em Alta Costura: Tecidos que Estampam Nossa História”, uma performance-instalação aprovada no Edital nº 02/2024 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A mostra reúne 15 peças, entre vestidos, adornos, macacão em crochê, tecidos estampados, bolsas e calças, valorizando as artes visuais e as expressões culturais afro-amazônicas.

A iniciativa é voltada a povos de terreiro, artistas, professores, estudantes e acadêmicos de artes visuais e moda de Parintins, e nasce da pesquisa do artista sobre os saberes afro-amazônicos, reunindo referências ligadas à encantaria, à musicalidade, aos povos de terreiro e ao multiculturalismo da Amazônia.

Segundo Rafael, o projeto propõe uma leitura artística que une história, técnica e estética, presentes em cortes, tecidos, texturas e formas que traduzem as chamadas afrografias amazônicas.

“Cada tecido, cada estampa e cada forma carregam narrativas que foram silenciadas por muito tempo. Meu trabalho busca costurar essas memórias e trazê-las à superfície como afirmação cultural”, afirma o artista.

Arte, memória e criação

O conceito de afrografia que fundamenta a proposta dialoga com estudos sobre a herança africana expressa por meio do corpo, da voz e dos gestos, refletindo a cultura viva dos territórios afro-diaspóricos.

Em “Cultura em Alta Costura”, essa herança aparece em estampas e performances que unem tradição e contemporaneidade.

“A arte afro-amazônica não é apenas estética, é política, é identidade e é resistência. Costurar é também um ato de narrar quem somos”, destaca Rafael.

Formação e valorização cultural

Além da performance-instalação, o projeto busca difundir o conhecimento sobre performance e a técnica de estamparia afro-amazônica, promovendo o diálogo com artistas, professores e estudantes de artes visuais de Parintins.

A proposta envolve pesquisa de fontes orais, escritas e visuais para compreender as referências presentes na produção artística local.

Ao relacionar arte, espiritualidade e criatividade, Rafael avalia que o projeto reafirma a importância dos povos de terreiro e da presença negra na Amazônia, historicamente invisibilizada.

As cores, texturas e formas criadas pelo artista constroem uma narrativa que resgata e valoriza esses saberes.

“Quando apresento essa arte, estou dizendo que nossa história merece ser vista, tocada e respeitada. A alta costura aqui é feita de ancestralidade e pertencimento”, conclui.