Unhas em gel: Proibição de substâncias acende alerta para riscos à saúde, aponta dermatologista professora da Afya
A Anvisa vetou produtos que contenham TPO e DMPT, após classificação internacional que aponta potenciais efeitos tóxicos
A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir o uso de duas substâncias químicas presentes em produtos usados para fazer unhas artificiais em gel ou esmaltes em gel,
acendeu o alerta entre profissionais que atuam com esse tipo de procedimento. As substâncias, categorizadas como potencialmente tóxicas e cancerígenas, representam riscos para a saúde de quem manipula o material com frequência.
As substâncias proibidas são o TPO (óxido de difenil) e o DMPT (dimetiltolilamina), presentes em produtos de higiene, perfumaria e cosméticos. Na Europa esses produtos estão vetados desde setembro deste ano, categorizados como CMR 1B, que engloba substâncias químicas consideradas cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução humana, com base em evidências de estudos em animais.
A médica dermatologista Anne Amaral, professora da Afya Educação Médica de Manaus, explica que, entre os efeitos mais imediatos observados na prática, a dermatite de contato alérgica é o problema mais frequente entre profissionais que trabalham com unhas em gel. “O contato repetido com essas substâncias aumenta a chance de sensibilização da pele ao longo do tempo. É uma exposição contínua e direta, o que torna esses profissionais mais suscetíveis ao desenvolvimento de alergias”, afirma.
Além das alergias cutâneas, Anne Amaral reforça que a etapa de lixamento do gel pode liberar partículas e vapores no ambiente, elevando o risco de irritação respiratória e ocular. “Quando a aplicação não é feita com o uso adequado de equipamentos de proteção individual, esses resíduos ficam suspensos no ar e podem ser inalados. Isso provoca irritação nas vias aéreas, na região das pálpebras e, em exposições prolongadas, pode gerar efeitos tóxicos sistêmicos”, explica.
Diante da proibição, a orientação é que profissionais priorizem produtos liberados para uso, reforcem o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) no trabalho, como máscara, luvas e óculos de proteção, e assegurem a ventilação adequada dos ambientes.
A dermatologista da Afya ressalta, ainda, que a decisão da Anvisa não deve gerar pânico entre consumidores, mas atenção redobrada para quem lida com o processo diariamente. “É um setor que cresce muito, e informação é fundamental para garantir segurança. O banimento é uma forma de prevenção e um lembrete da importância de seguir normas de segurança e boas práticas”, comenta.
