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Serial killer paulista usava veneno para eliminar vítimas

Serial killer paulista usava veneno para eliminar vítimas

A Polícia Civil de São Paulo concluiu que a universitária Ana Paula Veloso Fernandes, de 35 anos, é responsável por uma série de quatro homicídios cometidos em apenas cinco meses. Segundo as investigações, ela teria envenenado e matado o dono do imóvel onde morava, uma amiga que conheceu em um aplicativo, o pai de uma ex-colega de faculdade e o namorado, um jovem tunisiano. Os crimes aconteceram entre janeiro e maio deste ano, em Guarulhos (SP), Duque de Caxias (RJ) e São Paulo.

Apontada pela polícia como uma “serial killer”, Ana Paula está presa desde julho e teria contado com a ajuda da irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, e de Michelle Paiva da Silva, filha de uma das vítimas. As duas também foram presas e são investigadas por participação nas mortes. De acordo com o Ministério Público, o trio usava o veneno para eliminar as vítimas e ficar com seus bens e dinheiro.

As quatro mortes apresentam os mesmos sinais de intoxicação, como edemas nos pulmões e falência múltipla de órgãos, típicos de envenenamento. A Polícia Técnico-Científica analisa amostras dos corpos e suspeita do uso de “chumbinho”, produto tóxico usado contra ratos. Três das vítimas já foram exumadas para confirmação da substância.

De acordo com as investigações, o primeiro assassinato ocorreu em 31 de janeiro, quando Marcelo Hari Fonseca, de 51 anos, proprietário do imóvel onde Ana Paula e Roberta moravam, foi encontrado morto dentro de casa em Guarulhos. Inicialmente, o caso foi tratado como morte natural, mas reaberto após indícios de envenenamento.

Em 11 de abril, a segunda vítima, Maria Aparecida Rodrigues, uma amiga que Ana Paula conheceu pela internet, morreu após visitar a estudante. Segundo o inquérito, ela tomou café e comeu bolo oferecidos pela suspeita e passou mal horas depois. A universitária teria usado nome falso para se aproximar da mulher e, após a morte dela, demonstrou interesse em objetos da vítima.

Duas semanas depois, em 26 de abril, a estudante viajou ao Rio de Janeiro e matou Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, com uma feijoada envenenada. Ele era pai de uma colega de faculdade, Michelle Paiva, que segundo o Ministério Público contratou as irmãs para cometer o crime. Mensagens obtidas pela polícia mostram que Ana Paula e Roberta usavam a sigla “TCC” para se referir ao pagamento de R$ 4 mil pela morte do idoso — uma falsa alusão ao “Trabalho de Conclusão de Curso”.

A última vítima, Hayder Mhazres, um tunisiano de 21 anos com quem Ana Paula mantinha um relacionamento amoroso, morreu em 23 de maio, em São Paulo. O jovem passou mal no apartamento onde o casal estava. O corpo foi enviado à Tunísia e não foi possível realizar a exumação, mas a investigação considera que ele também foi envenenado.

Durante o relacionamento, Ana Paula afirmava estar grávida de Hayder e chegou a pedir dinheiro à família do rapaz, alegando precisar de ajuda financeira. A polícia confirmou posteriormente que a gravidez era falsa.

O Ministério Público denunciou Ana Paula pelos quatro homicídios, e Roberta deve ser acusada nas próximas semanas. Michelle, filha de Neil, pode responder pela morte do próprio pai. Todas estão presas — Ana Paula em uma unidade prisional da capital paulista, e as demais em presídios de Guarulhos.

A Polícia Civil investiga se há outras possíveis vítimas e tenta descobrir como a estudante obteve o veneno usado nos crimes. O caso segue sendo tratado como uma das mais graves séries de envenenamentos já registradas em São Paulo.