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Tadeu de Souza diz que SUS precisa ser adaptado à realidade do Amazonas e cobra governo federal: ‘Paciência chegou ao limite’

Tadeu de Souza diz que SUS precisa ser adaptado à realidade do Amazonas e cobra governo federal: ‘Paciência chegou ao limite’

 

Em novo artigo para o Poder360, o vice-governador afirma que o Ministério da Saúde precisa valorizar os profissionais de saúde no interior

O vice-governador Tadeu de Souza cobrou do governo federal que as políticas de saúde desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sejam adequadas à realidade do Amazonas. Em artigo publicado nesta terça-feira (23/09), no site especializado em política Poder360, de Brasília, Tadeu destacou que o modelo atual está sobrecarregado, dependente da capital e incapaz de responder à complexidade do território amazonense.

“É o Ministério da Saúde quem tem a responsabilidade de reconhecer que a floresta também é Brasil, e que saúde aqui custa mais, demora mais e precisa de mais. O povo do Amazonas tem sido resiliente por tempo demais. Vive em silêncio o que, em outras regiões, causaria comoção nacional. Mas essa paciência chegou ao limite”, enfatizou.

No texto, Tadeu defende que Parintins, Tefé, Tabatinga e Itacoatiara sejam centros de saúde verdadeiramente estruturados e destacou que o SUS precisa de uma rede logística capaz de atender à população, seja por barcos, voadeiras ou aviões. Para o vice-governador, o Amazonas precisa de “um SUS com a cara da Amazônia.”

“Não é aceitável que milhares de pessoas ainda precisem sair do interior para fazer um simples exame em Manaus. Precisamos de polos regionais fortes, com capacidade de realizar cirurgias, exames de imagem, atendimentos de urgência e especialidades médicas. Não adianta montar um hospital regional se o paciente em estado grave não consegue chegar a tempo”, ressaltou.

Sem médicos

Tadeu de Souza afirmou também que as políticas do SUS precisam valorizar mais os profissionais de saúde, sobretudo os que atuam no interior do estado, e mencionou o apagão de médicos em regiões remotas do Amazonas. Em São Paulo ou Brasília, por exemplo, a média é de seis médicos para cada mil habitantes. Já no interior do Amazonas, o número cai para apenas 0,2 médicos por mil habitantes.

“A escassez é gigantesca. Hoje, muitos (médicos) vêm apenas cumprir contratos temporários e vão embora. Isso rompe vínculos, desorganiza equipes e enfraquece a atenção primária. Defendemos um programa nacional que estimule a permanência, com carreira estruturada, plano de progressão, bônus por interiorização e condições dignas de trabalho”, elencou.

Conectividade

O vice-governador apontou, ainda, que não existe telessaúde sem internet de alta velocidade e cobrou mais rapidez na execução das Infovias, projeto que promete levar internet via fibra ótica a regiões isoladas da Amazônia, colaborando para a implementação da telemedicina nos municípios.

“Não existe cuidado moderno sem sistema de regulação, prontuário digital, laudos à distância e apoio diagnóstico remoto. Um SUS comprometido com a universalidade não pode tratar como exceção o que é regra para milhões de pessoas. Nenhuma dessas mudanças será possível sem a presença e o compromisso do governo federal”, defendeu.