Arte e memória: musical ‘Azira’i’ chega ao Teatro Amazonas com entrada franca
A atriz, cantora e dramaturga indígena Zahy Tentehar apresenta em Manaus o espetáculo “Azira’i – Um Musical de Memórias”, nos dias 28 de setembro (domingo), às 19h, e 29 de setembro (segunda-feira), às 20h, no Teatro Amazonas, com entrada gratuita.
Reconhecida nacional e internacionalmente, Zahy foi a primeira artista indígena a conquistar o Prêmio Shell de Melhor Atriz (2024), marco histórico no teatro brasileiro. Em “Azira’i”, ela conduz o público a uma experiência poética e sensorial sobre memória, identidade e herança cultural, inspirada em sua mãe, Azira’i, a primeira mulher pajé de sua comunidade, localizada na reserva de Cana Brava, no Maranhão.
Com direção de Denise Stutz e Duda Rios, e produção da Sarau Cultura Brasileira, o musical combina canto, performance e ancestralidade. No palco, Zahy alterna entre o português e o Ze’eng eté, língua de seu povo, entoando lamentos ancestrais transmitidos pela mãe, além de interpretar composições próprias feitas em parceria com Duda Rios. A direção musical é de Elísio Freitas.
A encenação aposta em uma estética minimalista, com recursos que destacam a presença cênica da artista: projeções visuais de Batman Zavareze, cenografia de Mariana Villas-Bôas, figurinos de Carol Lobato e iluminação de Ana Luzia Molinari de Simoni.
Circulação internacional
Antes de chegar a Manaus, “Azira’i” passou por grandes palcos do mundo, incluindo o Festival de Avignon OFF (França), onde recebeu destaque da imprensa europeia. A obra também já foi apresentada em cidades como Chicago, Bogotá e Santiago, e seguirá em circulação pela América Latina, com apresentações previstas em Córdoba e Montevidéu.
Sobre a artista
Nascida na reserva de Cana Brava (MA), Zahy Tentehar é atriz, dramaturga e cantora. Seu trabalho se destaca por transformar memórias pessoais em narrativas coletivas que emocionam e inspiram, reafirmando a arte indígena como uma linguagem universal. Ao longo da carreira, Zahy vem desconstruindo estereótipos e ampliando o espaço da cultura originária em festivais de renome no Brasil e no exterior.
Com “Azira’i”, ela celebra não apenas a trajetória da mãe, mas também a força da espiritualidade e do canto como ferramentas de resistência e memória.
