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Defensoria pede reunião urgente com Ministério da Justiça sobre questões ambientais em região de garimpo no sul do Amazonas

Defensoria pede reunião urgente com Ministério da Justiça sobre questões ambientais em região de garimpo no sul do Amazonas

Objetivo é discutir uso de explosivos em operações contra o garimpo ilegal e os impactos sociais e ambientais para populações vulneráveis

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) solicitou, nesta quinta-feira (11), uma reunião em caráter de urgência com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para tratar do uso de explosivos em operações de combate ao garimpo ilegal no Rio Madeira, na região de Humaitá, no sul do Estado. O gabinete do ministro confirmou o recebimento do ofício e informou que a agenda deve ser definida na próxima semana.

Mesmo após os argumentos apresentados pela DPE-AM sobre a desproporcionalidade da tática utilizada, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido liminar que buscava suspender o uso de explosivos. A Defensoria alerta que as ações vêm gerando graves impactos sociais, ambientais e humanitários para as populações ribeirinhas que vivem na região.

O defensor público Théo Costa explica que o objetivo da instituição é assegurar direitos básicos das comunidades que dependem do extrativismo mineral e que têm sido diretamente atingidas pelas operações.

“A Defensoria Pública tem plena consciência dos danos ambientais causados pela prática ilegal do garimpo. Ainda assim, a utilização de bombas de grande porte no leito do rio provoca mortandade de peixes, jacarés, tracajás e outros animais silvestres, além de gerar prejuízos sociais imensuráveis”, afirmou o defensor. Ele acrescenta que o garimpo, embora ilegal quando feito de forma descontrolada, é uma atividade prevista na Constituição.

“No artigo 174, parágrafo 3º, a Constituição Federal admite a realização da atividade, desde que sejam observadas as exigências de proteção ao meio ambiente e as garantias sociais”, destacou.

Combate desproporcional

No Mandado de Segurança apresentado ao STJ, a Defensoria anexou relatório produzido pelo Grupo de Trabalho Teko Porã – Vida Digna, que evidencia a desproporcionalidade das operações realizadas no Rio Madeira. O documento aponta que mais de 5 mil famílias dependem da atividade e são diretamente afetadas pelas ações de repressão.

O estudo foi elaborado a partir de visita da Defensoria ao município de Humaitá, em julho, para ouvir moradores e avaliar os impactos sociais e ambientais enfrentados pelas comunidades ribeirinhas.

Com base nas informações coletadas, o relatório descreve um cenário de extrema vulnerabilidade social, marcado por crianças e idosos traumatizados com os estrondos, famílias desabrigadas após a destruição de casas-balsas, perda de documentos pessoais, mortandade de peixes e contaminação da água – comprometendo a principal fonte de alimentação e de renda da região.

A crise socioeconômica também se agravou em razão da desconfiança sobre a qualidade do pescado, reduzindo as vendas. Só na comunidade Paraíso Grande, 47 famílias dependem da pesca artesanal e da agricultura de subsistência, ambas prejudicadas pelas operações.

O relatório conclui que o combate ao garimpo ilegal é indispensável, mas precisa ser conduzido com respeito aos direitos fundamentais. Como recomendação, o documento sugere que o poder público adote medidas urgentes de assistência e reparação, inclua as famílias em programas habitacionais e desenvolva políticas sustentáveis que conciliem preservação ambiental com justiça social.

Texto: Thamires Clair
Fotos: Junio Matos/DPE-AM