Neguinho da Beija-Flor descarta aposentadoria: 'Moreira da Silva cantou até os 99'
Aos 75 anos, Neguinho da Beija-Flor anunciou sua despedida como intérprete da escola de samba que leva em seu nome, mas não quer saber de aposentadoria.
O artista trata seu adeus como protagonista na Sapucaí como uma renovação do compromisso com a música brasileira – assumido ainda criança – e quer investir ainda mais na carreira de cantor de sambas.
Parcerias
O último canto na Sapucaí será com o enredo sobre Laíla, com quem trabalhou no Cordão da Bola Preta, antes mesmo da Beija-Flor.
Mas, ainda este ano, ele lançará um álbum com um novo parceiro: Xande de Pilares.
O repertório é de sucessos da carreira de Xande e que têm valor afetivo para os dois. As gravações foram marcadas por momentos de emoção.
“A gente improvisa na música, a gente chora juntos”, disse Xande, deixando escapar mais algumas lágrimas.
Missão cumprida
Neguinho afirma que encerra seu ciclo na Sapucaí com a sensação de dever cumprido.
Segundo ele, os 75 anos pesaram na decisão de definir um último carnaval como a voz da Beija-Flor.
“Eu cheguei à conclusão de que a idade chegou, a idade chega para todo mundo. O tempo não para, como diz o grande mestre Cazuza. Não parou para mim. É cansativa a função do intérprete do carnaval, muito mais que fazer 3 horas, 4 horas de show.”
O cantor destaca que a função é mais pesada do que muitos imaginam.
“Eu costumo comparar o intérprete de samba de enredo com um maratonista. Nem todos nascem com esse dom. Temos vários cantores extraordinários, maravilhosos que tentaram cantar um samba na avenida e não conseguiram. Isso é um privilégio de poucos. Não querendo valorizar o que a gente faz, mas você tem que ter este dom. Cantar uma hora e meia na marques de Sapucaí sem intervalo é difícil. Não é qualquer um.”
