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Na imensidão da Amazônia paraense, mulheres quilombolas estão escrevendo uma nova história de protagonismo e resistência. No município de Gurupá, o projeto AWA, uma iniciativa pioneira do mercado voluntário de créditos de carbono, está unindo preservação ambiental, combate às mudanças climáticas e geração de renda sustentável. Essas ações, lideradas pela Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombo de Gurupá (ARQMG) em parceria com a Carbonext, mostram como a força feminina pode transformar a realidade local, protegendo 73 mil hectares de floresta e promovendo o desenvolvimento econômico.
Durante a última expedição do projeto, realizada entre 22 de novembro e 1º de dezembro de 2024, as comunidades quilombolas receberam treinamentos, equipamentos e oficinas que fortalecem tanto a gestão territorial quanto as oportunidades para as mulheres. Dois exemplos de destaque são as iniciativas "Filhas da Mãe do Fogo" no projeto AWA e o "Sabores do Quilombo", que têm mobilizado lideranças femininas para conservar a floresta em pé e incentivar o empreendedorismo local.
“Filhas da Mãe do Fogo”: proteger para transformar
A brigada de incêndio feminina do projeto AWA já é um orgulho de Gurupá. Nascida a partir da iniciativa “Filhas da Mãe do Fogo”, do Observatório do Clima do Marajó, a brigada reúne mulheres da comunidade ARQMG, proponente e beneficiária do projeto. As moradoras tiveram um primeiro contato com a iniciativa do Observatório há cerca de um ano e meio atrás e decidiram incorporar a brigada de incêndio feminina no território do AWA, com o apoio da Carbonext.
Durante a última expedição ao projeto, 26 mulheres participaram de um treinamento intensivo para brigadistas, ministrado por bombeiros especializados. Elas aprenderam técnicas de combate a incêndios, noções básicas de primeiros socorros e receberam equipamentos como mochilas costais, abafadores, ferramentas, EPI (camisa e calça de campo, bota, respiradores, óculos, balaclava) e todo o insumo necessário para atuar no combate às queimadas.
“O que estamos fazendo aqui é mais do que apagar incêndios: é proteger o que é nosso e garantir o futuro da floresta para as próximas gerações. Isso mostra que as mulheres também podem liderar e cuidar do território”, destaca Regiane Machado, uma das líderes do grupo. Essa capacitação foi fundamental para formalizar a atuação das brigadistas dentro do projeto AWA. Além de fortalecer a segurança ambiental da área, o grupo representa um símbolo de autonomia e resiliência, mostrando como as mulheres podem ser protagonistas na conservação do meio ambiente.
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