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Efeito Repiquete: Rio Negro desce 21 centímetros em apenas quatro dias

Efeito Repiquete: Rio Negro desce 21 centímetros em apenas quatro dias

 O Rio Negro, um dos principais afluentes do Amazonas, enfrenta uma oscilação inédita e extrema em seus níveis de água durante uma das piores estiagens já registradas no estado. No dia 9 de outubro, o rio atingiu o nível histórico mais baixo de 12,11 metros, conforme medição realizada no Porto de Manaus. Este é o menor nível registrado desde o início das medições, há 122 anos.

A oscilação no nível do rio Negro é conhecida como “efeito repiquete”, uma variação em que o rio enche e esvazia em intervalos curtos, situação agravada pela seca e pela falta de chuvas. Após atingir o nível mínimo em 9 de outubro, o rio apresentou uma subida entre os dias 13 e 24 de outubro, em uma recuperação que durou 11 dias consecutivos. No entanto, a partir do dia 25, o rio voltou a secar rapidamente, e seu nível desceu novamente 21 centímetros em apenas quatro dias.

A seca severa que atinge o Amazonas tem provocado efeitos devastadores, com impactos ambientais, econômicos e sociais em toda a região. Várias comunidades ribeirinhas, que dependem do transporte fluvial para acessar recursos e serviços básicos, enfrentam dificuldades de locomoção, e a logística de abastecimento de alimentos e medicamentos é prejudicada. Em muitas áreas, barcos estão encalhados, e algumas comunidades se encontram isoladas.

Além disso, a fauna e a flora da região estão ameaçadas. A redução nos níveis dos rios compromete o ecossistema aquático, afetando desde espécies de peixes essenciais para a pesca até animais que dependem das margens dos rios. O efeito repiquete torna essa situação ainda mais imprevisível, com o ciclo de cheia e vazante acelerado, o que dificulta a adaptação da fauna às variações de nível.