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Pelo título, Medina troca liberdade por "regime militar" imposto por padrasto

Pelo título, Medina troca liberdade por

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Com o fim da etapa portuguesa do Circuito Mundial de Surfe (WCT), em Peniche, Gabriel Medina pôde usufruir de um breve período de liberdade no Brasil antes de brigar pelo título mundial na última etapa, o Pipeline Masters, de 8 a 20 de dezembro, no Havaí. Nessas duas semanas, reencontrou amigos, concedeu entrevistas, participou de programas de televisão, foi a festas na companhia de belas mulheres e ganhou até um selinho da modelo e apresentadora Nicole Bahls. Em meio à agenda lotada de compromissos, ele encontrou tempo para disputar o WQS Prime de Maresias, em São Sebastião (SP). Mas, após a badalação no Rio de Janeiro e em sua terra natal, o paulista voltou ao "regime militar" imposto pelo técnico e padrasto, Charles Saldanha. 

Para que o surfista pudesse relaxar, sem ser prejudicado, o acordo com o treinador era o de ficar livre para sair e comparecer a eventos comerciais até o dia 9 de novembro. Desde então, o líder do ranking está totalmente "blindado". O trato proposto por Charles é de que Gabriel aproveite a vida como qualquer jovem de 20 anos, com cuidado para não perder o foco. A rotina tem sido árdua e regrada. Além de alimentação saudável e balanceada, com horários fixos para dormir e acordar, o surfista de 20 anos encara uma série de treinamentos físicos puxados, dentro e fora da água, para entrar em ação 100%. 

- Todo campeonato a gente faz um acordo. Quando chega o campeonato, ele fica totalmente blindado. Ele fica sozinho comigo, e a gente blinda ele de tudo: imprensa, amigos, de sair, de tudo. Eu digo que é uma rotina militar mesmo. Só que acaba que ele tem alguns compromissos com a imprensa, os amigos estão em casa... Aí temos que brecar isso. Alguns dias, ele vai poder sair. Em outros, vai ficar trancado em regime militar - afirmou Charles.

Para o treinador, até mesmo o descanso de Gabriel faz parte do rigoroso esquema de preparação. Se uma etapa é adiada, por exemplo, é comum que o surfista concilie os treinos com momentos de isolamento no hotel ou na casa em que esteja hospedado, seja relaxando no quarto ou jogando videogame e pôquer com os amigos. 

- O descanso faz parte do treinamento. Se não tiver etapa e tiver feito três dias seguidos de treino, é bom descansar, mas não pode ser muito descanso para não perder o ritmo. Quando o Gabriel fica no hotel, ele gosta de jogar videogame, o que é bom também, melhor do que jogar futebol ou tênis, esportes que poderiam provocar uma lesão - analisou o padrasto.  

Quando esteve em Maresias para a disputa válida pelo ranking de acesso à elite mundial, Charles deixou o filho curtir os últimos resquícios de liberdade. Na ocasião, ele foi eliminado pelo australiano Julian Wilson na repescagem para as oitavas de final do WQS. A competição serviu como um treino de luxo para o atleta, que competiu sem pressão. A ideia era que o jovem ficasse o mais tranquilo possível antes da etapa decisiva do WCT, em Pipeline. 

- Agora, o foco é Pipeline, onde ele vai ficar treinando, focado. Se tiver um jogo de pingue-pongue, o Gabriel vai dar o sangue para ganhar a partida. A gente não quer que ele fique estressado, que ele relaxe e fique bem calmo, seguro e tranquilo. Queremos que ele alcance o máximo do seu potencial no Havaí - acrescentou Charles.

O trabalho do surfista será acompanhado de perto pelo médico Marcelo Baboghluian, que o auxilia desde a fratura na fíbula direita, sofrida em um treino no Havaí, em dezembro do ano passado. Os rivais de Medina na briga pelo caneco são o australiano Mick Fanning, três vezes campeão do mundo, e o americano Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais.

O QUE MEDINA PRECISA PARA SER CAMPEÃO MUNDIAL


- Se Medina perder na segunda (25º) ou na terceira fase (13º) em Pipeline, precisa torcer para Slater não vencer a etapa, e Fanning não chegar às semifinais. Caso Fanning pare nas quartas, os dois farão uma bateria homem a homem para decidir o caneco.
- Se perder na quinta fase (9º), tem que torcer para Mick não chegar à final.
- Se perder nas quartas (5º) ou nas semis (3º), tem que torcer para Mick não vencer a etapa.
- Se chegar à final, conquista o título, independentemente do resultado de Mick.