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Indígenas na Amazônia usam internet da Starlink de maneira indevida

Indígenas na Amazônia usam internet da Starlink de maneira indevida

O próprio Times informa, em  reportagem, que a internet via satélite da Starlink chegou sim à região, mas não foi para as escolas nem para o monitoramento ambiental. A internet chegou para tribos indígenas. Até mesmo para algumas isoladas, ou seja, que não tinham contato com o “homem branco”.

Os Marubos falam sua própria língua, tomam chá de ayahuasca para se conectar com os espíritos da floresta e mantém macacos-aranha como animais de estimação. Esses são costumes que a tribo adota há séculos, mas que estão perdendo força entre as novas gerações, por causa da internet.

O serviço de alta velocidade da Starlink chegou ao local em setembro de 2023. Em 9 meses, os indígenas passaram a conviver com desafios muito parecidos com os da nossa sociedade:

  • adolescentes colados aos telefones;
  • bate-papos em grupo cheios de fofocas;
  • redes sociais viciantes;
  • estranhos online;
  • videogames violentos;
  • fraudes;
  • desinformação;
  • e menores assistindo pornografia.

Não que tudo listado acima seja um problema. Mas virou para os indígenas, como explica Tsainama Marubo, de 73 anos:

“Os jovens ficaram preguiçosos por causa da internet. Eles estão aprendendo os costumes dos brancos.”

Ela disse que os mais novos não estão mais interessados em seguir as tradições da tribo, como fazer tinturas e joias. Alguns deixaram até mesmo de caçar e pescar. Eles também estão menos concentrados e perdendo o foco facilmente.

Apesar das críticas, a mesma Tsainama Marubo disse que não abre mão da internet. De jeito nenhum. A tecnologia trouxe outros tantos benefícios à aldeia.

Os indígenas conseguem conversar agora com pessoas à distância, com entes queridos, conseguem enviar pedidos de ajuda em caso de emergências e ainda têm acesso mais fácil à informação.

Vale destacar que os Marubos não são considerados uma tribo isolada há muitas décadas. Eles eram até a chegada dos seringueiros à região. Apesar disso, eles mantiveram os mesmos costumes e tradições – que começaram a derreter agora, com apenas 9 meses de acesso à internet.

Assim como já aconteceu conosco, os indígenas estão descobrindo agora o dilema fundamental da grande rede global de computadores: ela se tornou essencial, mas tem um custo. Agora, cabe a eles debater maneiras de conciliar a modernidade com a sua própria identidade e cultura.

Isso se eles quiserem. A decisão deve ser dos Marubos e de mais ninguém.