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Eu Amo meu Autista


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As vezes, muitas das vezes a gente não se importa com o que acontece ao nosso redor, nossa vida está boa e isso nos basta, até sermos atingidos por algo que nos muda e nos faz ver de forma mais simples a vida.

Esse é o caso da nossa família, fomos atingidos pelo amor, o amor de um autista, meu neto de coração Bernardo. Ele mostrou que para viver, não precisamos de muita coisa, objetos, imóveis ou dinheiro. O que precisamos e muito, é termos compreensão e valorizar o que já conquistamos.
Cristina e eu (Cristina a vó dele), brilha os olhos quando recebe um carinho do Bernardo, ele  tem sete anos, Bernardo fala, mas não forma frases, repete algumas palavras, como: Me dá Vovô, ou Vovô eu te Amo! Isso é magnifico, para muitos pode parecer nada, mas para nós, é uma conquista.

Ele pode ficar na mesma posição por muito tempo ou horas embalando numa rede, como se o tempo parasse, sem precisar de mais nada. O que isso importa? Quem está de fora, pode achar insignificante, mas é o sinônimo da simplicidade e de que a vida é muito mais do que estamos acostumados a valorizar.

Atender o Bernardo sempre foi, e ainda hoje é, um grande desafio e um grande aprendizado. Desde o começo, era difícil precisar um diagnóstico... “Autismo”? ainda é difícil interagir com ele e ajudá-lo, afinal ele não expressa suas dores, seus desejos, mas já foi pior. No começo, eram sons – “Hummmm...” – repetições, autoflagelação, medos, insegurança etc. Hoje, com toques ele consegue utilizar sua linguagem claramente para expressar suas inquietações, angústias, dúvidas e prazeres. A colaboração dos pais é, sem sombra de dúvida, foi e está sendo essencial para o sucesso do progresso dele. 

Foi preciso muita tenacidade para superar momentos difíceis, pessoas preconceituosas e atitudes de exclusão em relação a ele. A discriminação quem tem um autista na família sabe do que estou falando, esse preconceito marca, seja ela na escolinha, na piscina, em festas e até em aviões, mas isso faz parte do dia-a-dia. Hoje já melhorou muito, mas ainda encontramos muitas barreiras, mas vamos superando uma a uma.

E superar barreira é o principal e grande objetivo deste dia do orgulho autista, mudar a visão quanto ao autismo e suas particularidades, mostrando que autismo não é uma “doença” e sim uma condição. Essa data não é de celebração, de luta por respeito aos direitos e à neurodiversidade. Este dia traz o empoderamento dos autistas, impulsionando a causa e luta por políticas públicas que assegurem seus direitos.

Direito pouco respeitado em Manaus, para isso basta voltar um pouco no tempo e verificar o que a UNIMED FAMA fez com dezenas de crianças, quando suspendeu os planos de saúde e deixou os convênios com as poucas clinicas especializadas existentes, na capital amazonense, ficando a justiça ao lado da UNIMED FAMA. Bom mas esse é um assunto para outro artigo, foi só um desabafo.

Um estudo divulgado pelo CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, revela que uma criança a cada 100 nasce com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estima-se que somente no Brasil existem dois milhões de autistas. E nós, a nossa família tem o nosso, na verdade fomos premiados com ele, Bernardo poderia ter nascido em qualquer família, mas Deus escolheu a gente, pois sabia que iriamos ama-lo de forma incondicional, ao ponto dos olhos marejarem ao escrever sobre ele.

É por que tudo nele emociona, como diz a Cris, (Ele é apaixonante). Tudo nele é grande, o sorriso, o carinho, o amor puro e até as crises. O autista tem o amor mais puro e verdadeiro, sem preconceito, por que ele não vê diferença. Meu Neto me ensinou o significado do amor incondicional. Com ele aprendi a honrar o direito sagrado dele ser amado, por quem ele é.

Para finalizar uma metáfora que combina muito bem com os autistas: 


Uma vez
Um anjo pergunta a Deus:
- O que é um autista?
E Deus lhe respondeu:
- É um de vocês que de vez em quando, permito descer à Terra!


Ari Motta é jornalista e avô Bernardo!