CR7 não cede a provocações e conquista torcida rival em Anfield

Tal como em 2009, Cristiano Ronaldo venceu o duelo contra o centroavante Mario Balotelli. Na vitória por 3 a 0 do Real Madrid sobre o Liverpool, o “Bola de Ouro” fez o primeiro gol de sua carreira em Anfield, pôs fim a um tabu que durava 11 anos e conquistou a torcida adversária, que para o luso é a mais temida de Inglaterra. Depois de vaiar o craque durante o jogo cada vez que CR7 tocava na bola e de provocar o rival com tímidos gritos por Lionel Messi, o público presente se rendeu ao talento do adversário a 15 minutos do fim do encontro.
Carlo Ancelotti substituiu Cristiano Ronaldo, pensando no clássico espanhol com o Barcelona no próximo sábado. A alteração também serviu como homenagem. Os fãs do Liverpool aplaudiram de pé o jogador, que durante seis temporadas vestiu a camisa do maior rival, o Manchester United. Como prêmio extra, segundo a UEFA, o atacante merengue se tornou após a partida o maior artilheiro da Liga dos Campeões, igualando a marca de 71 gols de Raúl.
Confusão por um gol
Algumas horas após o fim do encontro, o Real Madrid também anunciou nas redes sociais que CR7 havia chegado ao 71 gols. No site da UEFA a informação divulgada foi a mesma. Na contagem, o jogador tem 16 gols pelo Manchester United e 55 pelo Real. No entanto, para a imprensa mundial, CR7 soma 70, ou seja, ainda com um a menos que Raúl. A confusão gira em torno do gol que CR7 marcou diante do Debreceni na eliminatória da Champions de 2005/2006 pelo United. Os ingleses venceram por 6 a 0, com um gol de Ronaldo, e se qualificaram para a fase de grupos da Liga dos Campeões. A imprensa espanhola contabiliza os gols somente a partir da primeira fase da competição, pois considera o playoff apenas o acesso à disputa. A entidade que comanda o futebol europeu discorda, assim como o clube merengue. Os números provocaram confusão até mesmo em Cristiano Ronaldo.
- Igualar o recorde de Raúl? Mas já não está? - questionou Cristiano Ronaldo em entrevista à reportagem do GloboEsporte.com na zona mista.
O luso disse que tinha até perdido a conta, pois não estava preocupado com o recorde.
- Não, não é importante, tanto não é importante que eu nem sabia quantos faltavam. O importante era ganhar. Agora a gente tem 75% da qualificação garantida. Jogamos muito bem, foi um primeiro tempo espetacular e todo o time está de parabéns - disse CR7.
Mas, se para os microfones o atacante luso diz que não dá importância aos recordes, em campo a história não é bem essa. Prova disso é que após o gol do empate diante do Ludogorets, na Bulgária, ele celebrou fazendo um número “7” com os dedos, exibindo os seus 70 gols, que para a imprensa, nesse dia, eram 69.
CR7 x Balotelli
Balotelli até entrou em campo motivado pelo incentivos do público de Anfield: correu pelas alas, tentou lances, mas não conseguia criar perigo. Do outro lado, CR7 fazia o mesmo, mas de forma mais precisa. Logo notou-se que a batalha nem seria entre o camisa 7 do Real e os jogadores do Liverpool, mas entre CR7 e a torcida da casa. Fora do campo, o público foi a estrela do encontro: cantou do início ao fim do jogo, mesmo com o Liverpool perdendo de 3 a 0 já ao intervalo.
You’ll never walk alone (Você nunca vai caminhar sozinho), foi a resposta de milhares de pessoas à derrota. Ao público de Anfield resta como prêmio de consolação o reconhecimento e admiração dos campeões da Europa.
