"Maior erro que vi em 40 anos de F-1", diz Galvão sobre acidente de Bianchi

O acidente do francês Jules Bianchi assustou o mundo da Fórmula 1 no domingo, em Suzuka, no Grande Prêmio do Japão. Pilotos, dirigentes, jornalistas e espectadores se impressionaram com a batida, próxima ao fim da corrida, que acontecia em condições ruins, com chuva e pouca visibilidade. O narrador Galvão Bueno foi um deles. Experiente nas narrações da TV Globo na principal categoria de automobilismo do mundo, o locutor criticou a decisão dos dirigentes de permitir a continuação da prova.
- Não tenho nenhum medo de falar, apesar de ter um relacionamento pessoal muito bom com Charlie White, que é diretor de prova da Fórmula 1, e Eric Boullier, subdiretor. Foi o maior erro que vi em 40 anos em que trabalho com Fórmula 1, numa corrida que já não tinha condições de ser realizada. Estava escurecendo, já não se via nada, chovendo, faltando nove voltas. Podia terminar que não ia vai mexer no resultado. O Suttil escapou com a Sauber, num ponto em que se escapa e a área é pequena. Ali faz o quê? Bandeira vermelha, para todo mundo, para a corrida. Deixaram a corrida continuar - afirmou.
Na 43ª volta da prova, Jules Bianchi aquaplanou na pista molhada de Suzuka e atingiu um guindaste que removia a Sauber de Adrian Suttil, que havia rodado na saída da curva Dunlop na volta anterior. Bianchi estava a mais de 200km/h quando perdeu o controle de sua Marussia e acabou entrando embaixo do veículo que transportava o carro do alemão. No impacto, o santoantônio, estrutura feita para proteger a cabeça do piloto em caso de capotagens, ficou destruído, e o francês foi atingido no capacete.
- Quando na televisão parece que está escuro, é porque está escuro para caramba. Conversei com o Felipe Massa e ele disse que não via nada. Esse absurdo poderia ser evitado. Tenho dois filhos que correm de automóvel, imaginem o que foi a pancada na cabeça desse rapaz de 25 anos para levantar um trator. Como pode não parar a corrida? - disse Galvão Bueno.
Levado para o Hospital Geral de Mie em uma ambulância, após receber os primeiros atendimentos na pista, Bianchi passou por uma operação de mais de três horas para conter a pressão intracraniana e uma hemorragia. Nesta segunda-feira, a Marussia divulgou um comunicado em que agradece pelo apoio que tem sido demonstrado pelos fãs e pede "paciência" quanto aos boletins médicos.
