A aproximação de Brasil e Israel pode atrair novos investimentos para a região, o que é vital para a diversificação e crescimento do Polo Industrial de Manaus (PIM), de acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, em reunião nesta quarta-feira, 20, com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley. Os avanços na capacidade de inovação das empresas israelenses foram destacados como possíveis pontos de parceria entre os países.

“O setor industrial local hoje é formado por companhias globais e de alta tecnologia em alguns segmentos que demandam elevada automatização para garantir a produtividade exigida no mercado. Temos muito a crescer do ponto de vista tecnológico em parceria com Israel, o avanço e a capacidade de inovação das empresas israelenses são exemplos de que superam as adversidades geográficas além de representar na ponta o segmento de alta tecnologia nos setores de saúde, educação, segurança e meio ambiente”, disse Silva.

As áreas destacadas pelo empresário foram apontadas como necessárias para troca de experiências e fazer avançar os acordos que beneficiem os dois lados, na busca pela redução da desigualdade social e no avanço da capacidade produtiva das empresas. “A região por ser atrativa em muitas áreas pouco exploradas tendo como matéria-prima a rica biodiversidade da floresta amazônica, tem setores que as empresas israelenses em muito podem se interessar, como fármaco e cosmético”, ressaltou ele.

Encontros com empresários locais são vistos por Shelley como a maneira mais eficaz para troca de ideias sobre setores com potencial para receber investimento. É o que ele tem feito nas 50 visitas oficiais a diferentes regiões do Brasil. Como líder, Shelley precisa “ver o branco do olho” para analisar e determinar se verdadeiramente o outro lado quer ou não fazer negócio.

“Eu vim conhecer de perto essa gigante natureza que para nós que somos de fora não conseguimos dimensionar. A Amazônia aos nossos olhos é um sonho e nunca passa pela cabeça que é um lugar para investir em qualquer segmento. Sempre quando penso em negócios, vem em mente São Paulo e Rio de Janeiro, mas nunca a Amazônia”, contou ele.

Para o embaixador, diplomado há dois anos como representante brasileiro de Israel, é necessário mudar a cabeça das pessoas sobre o conceito existente na região amazônica de não ser o lugar ideal para se fazer negócios. “A distância não é um problema para os negócios. Se mudarmos a cabeça podemos fazer negócios aqui sim e o dinheiro vem consequentemente”, relatou Shelley.

Sobre os investimentos e negócios envolvendo o meio ambiente, o embaixador ponderou o contato com o ecossistema. “Esse assunto é difícil de explicar, se por um lado tem uma grande floresta que é o pulmão do mundo, do outro lado é preciso desenvolver para as pessoas, temos que cuidar dos dois lados”.

Potencialidades de Israel

Em material apresentado para empresários na reunião, o embaixador ressaltou a disponibilidade e o trabalho feito com a água em Israel. Hoje no país mais de 75% da água de esgoto é reutilizada. A agricultura é o setor que mais consome água no país, porém quase 45% dessa água são oriundos do reuso para economizar os recursos e, mesmo assim, utilizando a medida certa para os alimentos, garantindo a qualidade do mercado exigente e cobrado pelos agricultores.

“São muitas as diferenças entre Brasil e Israel, e a disponibilidade de água é apenas uma delas”, disse Shelley. De acordo com dados mostrados da Agência Nacional da Água em Israel, a água potável ainda é a mais consumida do país, porém nos próximos dois anos o cenário pretende aumentar o volume que vem da dessalinização da água do mar e do esgoto tratado para corresponder por quase 50% da água consumida no país.

Israel investe muito mais em tecnologia, ainda segundo dados apresentados pelo embaixador. Pelo menos 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país são investidos em desenvolvimento e tecnologia, enquanto no Brasil pouco mais de 0,8% são destinados a essa área.


Coluna Ari Mota

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